José Ap da Silva
Sabado, 29 de Setembro 2007 - 15h48 Dentre as muitas emoções que nos ligam ao outro, o amor é a que se destaca primordialmente. Emoção vivenciada pela maioria das pessoas, e extremamente desejada de ser sentida pelos que ainda não a experenciaram, diferentes são as formas nas quase se manifesta, assim como, sua intensidade, que varia desde a mais suave ternura até a mais violenta e agitada paixão. Não obstante, praticamente todos os tipos de amor podem ser entendidos a partir da combinação de três dimensões ou fatores: intimidade, compromisso e paixão.
A dimensão intimidade emocional se caracterizada, em grande parte, mais pela ação de “sentir” amor, do que por estar enamorado de alguém. Esta dimensão focaliza a união, a amizade, a confiança e os sentimentos de proximidade que resultam da capacidade de compartilhar os mais íntimos desejos e pensamentos com um(a) parceiro(a). Quando a intimidade emocional floresce, ambos os parceiros se entendem melhor, são mais abertos, pacientes e compreensivos entre si e com os outros, assim como, sentem, com segurança, a possibilidade de dialogar sobre qualquer assunto sem receio de ser rejeitado pelo outro. Neste caso, para a intimidade se desenvolver em toda a sua plenitude, torna-se essencial que ambos os parceiros sejam capazes de esquecer rancores, medos e diferenças e praticar, cotidianamente, compaixão e bondade em relação ao outro e, especialmente, quando discordam ou cometem erros. Respeito e confiança mútua são fatores essenciais neste processo. Esta dimensão, portanto, é a que representa o componente investimento emocional do amor.
Por sua vez, a dimensão compromisso do amor é, freqüentemente, observada como a decisão de estar e de permanecer com o outro durante toda a vida, podendo variar de simples acordos verbais, que não podem envolver os aspectos emocional e/ou sexual com a outra pessoa, a contratos legalmente formalizados, como, por exemplo, o casamento. Todavia, um compromisso desta espécie significa mais do que concordar em estar com o parceiro durante períodos ruins. Significa estar devotado em fazer as mais diversas coisas para nutrir a relação, protegê-la de danos e sustentá-la, se abalada. Para tanto, ambos os parceiros devem cuidar das necessidades do outro, assim como, de estarem desejosos em colocar a necessidade do outro em primeiro lugar, ainda que esta inclua o desejo de fazer sacrifícios pessoais para prover o bom andamento da relação. Esta dimensão representa o componente cognitivo do amor.
Finalmente, a dimensão paixão do amor se caracteriza melhor pelos sentimentos de estar enamorado do outro. A dimensão paixão focaliza aqueles sentimentos intensos de excitação, oriundos da atração física e sexual que um provoca no outro. Inicialmente, a paixão é, na maioria dos casos, baseada mais nas qualidades externas da pessoa amada, ou seja, em como esta parece e age, do que nos valores, crenças, interesses ou atitudes compartilhados por ambos. Dependendo do nível de intimidade e de compromisso, a dimensão paixão do amor pode incluir ansiedade e insegurança, pois, o parceiro não está seguro de que os sentimentos que vivencia sejam mútuos. Em adição, verifica-se que a paixão é, tipicamente, mais intensa no início das relações românticas, quando ainda não se conhece muito sobre o parceiro.
Com o passar do tempo, o progresso da relação leva um a conhecer melhor o outro e, em prejuízo, os aspectos da excitação física se acomodam, diminuindo, com isso, a experiência da paixão sentida por ambos até então. Esta dimensão representa o componente motivacional do amor.
Combinadas estas três dimensões, é possível obter-se oito tipos característicos de amor. São eles: a ausência de amor; o “ficar”, ou seja, estar com o outro sem que aja compromisso formal entre ambos; o amor ardente, muitas vezes caracterizado por atitudes irracionais; o amor vazio; o amor romântico; o amor por companheirismo; o amor ilusório, ou seja, que, num primeiro momento parece existir, mas, com o passar do tempo, se mostra premeditado; e amor completo. Porém, em todos, a partilha mútua do “eu” e dos bens, o dar e receber apoio emocional e o promover e cuidar do bem-estar um do outro são elementos que constituem a essência de cada relacionamento estabelecido, configurando-se, portanto, a verdade maior para amantes, pais, filhos e amigos íntimos.
*Prefeito do Campus
da USP-Ribeirão Preto