Jornal A CIDADE

José Ap da Silva

Sabado, 13 de Outubro 2007 - 17h46

PERCALÇOS EDUCACIONAIS (1):


Liderando a lista das prioridades públicas mundiais, salvo algumas exceções, a Educação é admitida, mundialmente, como quesito essencial para a preservação e organização da vida biológica e funcional em sociedade. Ainda que não tão aparentes quanto os avanços biotecnológicos, seus frutos e conquistas são categóricos em exemplificar que somente pessoas ampla e flexivelmente educadas estarão aptas a atuar produtivamente no mundo de contínuas, rápidas e repentinas transformações que então se apresenta. Neste contexto, abordar alguns percalços de seu caminho é discutir as dificuldades que surgem durante o seu processo de fazer, pensar ou realizar algo.
Entendo como primeiro percalço o questionamento sobre o que deve ser ensinado, entendemos que neste devem ser priorizados os conteúdos que norteiam a sobrevivência em sociedade. Atualmente, as questões que se colocam são: “Que fatos, dados e informações deveriam ser ensinados?”; “É interessante dividir o conhecimento em disciplinas?”;“Deveríamos promover a criatividade ou o pensamento crítico?”; “Focalizar as artes e a tecnologia, ou enfatizar os aspectos sociais ou morais?”. No entanto, uma vez que o conhecimento, usualmente, se duplica em um ou dois anos, infelizmente, nós não podemos, visando favorecê-lo, multiplicar o número de horas ou ensinar duas vezes mais rapidamente do que já ensinamos.
Mesmo se concordássemos sobre a intensidade enfática a ser aplicada, ainda assim, como deveríamos ensinar? Deveríamos ensinar todos os assuntos ou ensinar a todos os estudantes a mesma coisa? Deveríamos individualizar o currículo para cada estudante ou grupo de estudantes? Qual a importância que deveríamos dar aos computadores, à educação à distância, à internet e aos meios de comunicação? Qual deveria ser o papel da escola, do lar ou das atividades extracurriculares? Quanto de responsabilidade deveria ser esperado dos professores, estudantes, pais e comunidade em geral? Nossa resposta a esta situação, no entanto, é afirmar que fatos são elementos fáceis de serem memorizados e muitos são os que têm grandes facilidades em relembrá-los imediatamente. Mas, o conhecimento disciplinar é mais profícuo, ainda que, para ser efetivo, necessite de aplicação docente e compreensão discente mais rigorosa.
No decorrer dos anos, os seres humanos desenvolveram várias e poderosas disciplinas, assim como, diferenciadas maneiras de se conhecer o mundo, tais como, através das informações científicas, humanísticas, históricas e artísticas, bem como, criativas formas de pensamento matemático. No entanto, as dificuldades de compreensão permaneceram. A causa disto? O fato de o homem acreditar muito mais nas teorias implícitas, ou seja, fundamentadas em sua “opinião” sobre determinados assuntos, do que no conhecimento embasado cientificamente, ou seja, provado pelas leis da física. Opiniões, ainda que úteis pelo fato de revelarem a visão de mundo de alguém, uma vez não refletidas, nada mais são do que afirmações erradas e mortas do ponto de vista da física, biologia, psicologia e da história. E, uma vez disseminadas, ainda que errôneas, causam mais prejuízos do que benefícios. Em Educação, se quisermos desenvolver os melhores e mais frutíferos modos de pensamento, devemos erradicar, totalmente, estas falsas teorias e substituí-las, coerentemente, por teorias corretas e sólidas e fundamentadas no bom senso.
Percalços existem, leitores, para que o Homem possa provar sua competência em se tornar cada vez melhor.

Prefeito do Campus
da USP de Ribeirão Preto*

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