Jornal A CIDADE

José Ap da Silva

Sabado, 3 de Novembro 2007 - 20h57

A PANDEMIA DA VIOLÊNCIA (2): AÇÕES PREVENTIVAS


Usualmente, duas estratégias têm sido consideradas para impedir ou prevenir a ocorrência de comportamentos violentos: responder ao problema da violência através de medidas reativas ou evitar a ocorrência dos mesmos por meio de ações preventivas.
Entende-se por medidas reativas aquelas que são colocadas em prática após padrões violentos de comportamentos serem bem estabelecidos. Por sua vez, as intervenções preventivas são aquelas que buscam reduzir os fatores de riscos geradores de comportamentos violentos.
Aquelas, dispendiosas e intrusas, freqüentemente são necessárias, mas, dificilmente, eliminarão os comportamentos violentos enraizados numa sociedade com cultura de violência crônica.
Estas, econômicas e discretas, adequadas, enriquecem os mecanismos protetores, fortalecendo a resistência das pessoas às influências negativas.
Ações preventivas, por atuarem antes da estabilização de desordens crônicas, tendem a ser mais bem sucedidas na redução da violência do que medidas puramente reativas ou corretivas.
Organizados em seis áreas, a saber, individual, familiar, escolar, grupos/colegas, comunidade e efeitos da mídia sobre a violência, os fatores de riscos merecem ser determinados para que se torne possível indicar ações que preveniriam os mesmos.
Individual: inclui as características biológicas e psicológicas, identificáveis em crianças muito jovens, que podem aumentar sua vulnerabilidade às influências ambientais e sociais negativas no decorrer do seu desenvolvimento. Estudos indicam que há uma forte relação entre manifestações precoces da violência e comportamentos violentos posteriores.
Familiar: mostram que determinados modos com que as famílias socializam as suas crianças estão fortemente ligados às conseqüências evolutivas negativas e positivas. Famílias ou membros de famílias que consideram e apresentam a violência como aceitável e normalizam a ocorrência da violência e, portanto, expõem as crianças às normas e à valores anti-sociais e, também, famílias que freqüentemente fazem uso de meios de disciplina abusivos e severos, provavelmente aumentam o risco destas crianças ou jovens emitirem comportamentos violentos.
De fato, estudos entendem que tais procedimentos aumentam o risco destas crianças se envolverem em violência no futuro. Escola: sugerem que os níveis de desempenho acadêmico e as experiências escolares, quando geram fracasso ou evasão escolar, predispõem à pratica de comportamentos anti-sociais e violentos.
Colegas/grupos: apontam que o relacionamento com colegas delinqüentes contribui para o risco infrações violentas.
Comunidade: salientam que a exposição a crimes e tráfico de drogas aumenta o risco de comportamentos violentos posteriores, agravando a desorganização social.
Efeitos da mídia na violência: afirmam que hábitos de assistir ou brincar com mídias destrutivas elevam a incidência de comportamentos violentos e anti-sociais, reforçando sentimentos de insensibilidade e hostilidade até a aparente liberação de estimulação dolorosa para uma outra pessoa.
Adicionalmente, pensamentos obsessivos, pesadelos repetitivos e perturbações do sono, dependendo do contexto, também podem representar fatores de risco semelhantes aos acima estipulados.
Baseando-nos nisso, conhecer tais fatores torna-se extremamente importante para designar as intervenções preventivas mais apropriadas para eliminar, inibir ou adiar os comportamentos violentos ou violências que ocorrem em cada estágio do desenvolvimento humano.
Paralelamente a isso, é conhecendo-os que o Homem poderá determinar a população focal, o escopo e a intensidade das intervenções preventivas que devem ser elaboradas.
Prevenção é ação contra destruição. E a violência tem sido, por excelência, o mais destrutivo comportamento a agir contra a Humanidade.
Previnamo-nos, portanto, pois, somente assim, a existência do Futuro será algo possível.

*Prefeito do Campus Administrativo da USP de Ribeirão Preto

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