José Ap da Silva
Sabado, 10 de Novembro 2007 - 15h12 Caracterizada no Brasil como uma epidemia, ou mesmo uma pandemia, a violência, neste mesmo país, necessita de uma política social profunda, que, visando a geração de empregos, lazer, alimentação e educação, seja capaz de envolver todos os segmentos da população na prática de ações que a limitem, reduzindo-a ou inibindo-a na infância e na adolescência. Campanhas nacionais para mudanças de atitudes, enfoque centrado na família e na comunidade, educação dirigida à violência e proibição de acesso às armas de fogo podem ser algumas a serem, por nós, indicadas.
Campanhas nacionais para mudanças de atitudes: promover campanhas nacionais visando a mudanças de atitudes em relação à violência e à tolerância ao comportamento violento. Operacionalmente, os políticos, os legisladores, os líderes, tanto de massa, quanto comunitários, e todos os cidadãos devem estar envolvidos em programas que indiquem a violência como sendo algo, socialmente, inaceitável e que contradiz os melhores e mais valiosos valores humanos da sociedade brasileira. Para que? Para enfatizar a responsabilidade e o respeito aos direitos dos outros. Como? Conclamando a televisão e os meios de comunicação a mudarem a imagem da violência na sociedade brasileira e repudiarem a qualidade, admiravelmente, aceitável, de uma qualidade brasileira intolerável e desdenhada nos quatro cantos do mundo.
Enfoque centrado na família e na comunidade: encorajar, facilitar e comissionar a comunidade, assim como, autodeterminá-la à execução de programas necessários à prevenção da violência. Como? Criando empregos, conscientizando a população sobre o significado do trabalho, gerando oportunidades educacionais variadas e, também, ampliando os suportes para que família e comunidade possam ajudar, senão toda, o maior número de crianças e adolescentes possível. Incentivar programas centrados na família e na comunidade, que visem reduzir a violência. Orientar psicólogos e médicos a fomentarem, institucionalmente, práticas que ensinem a população a lidar com a violência e, bem como, com os traumas subseqüentes por ela acarretados. Coordenar esforços, envolvendo tanto a comunidade quanto o policiamento comunitário, visando tornar a vizinhança, as escolas, as praças e os locais de lazer em ambientes saudáveis e seguros.
Educação dirigida à violência: educar, continuamente, pais, educadores, policiais e outros diretamente envolvidos com a violência. Como? Considerando os efeitos negativos e adversos, sobre as crianças e jovens, da exposição continuada à violência, assim como, ajudando-os a lidar com estes efeitos após a ocorrência, ou exposição, aos mesmos. Preparar, profissionalmente, todas as pessoas envolvidas com crianças e jovens sujeitos à violência. Em adição, disseminar estratégias de resolução de conflitos interpessoais e de abordagens alternativas à violência, ocasionados durante conflitos, como parte integrante de toda a preparação profissional dos cidadãos brasileiros.
Proibição de acesso às armas de fogo: limitar o acesso às armas de fogo, responsabilizando os pais, ou autorizados a portarem-nas, pela guarda e conseqüências de uso das mesmas. Como? Direcionando programas educativos sobre o assunto tanto às crianças, quanto aos adultos, conscientizando-os dos perigos ocasionados por armas de fogo e, especialmente, por aquelas que estão disponíveis em casa, visando, com isso, a redução de acidentes fatais, intencionais ou não, resultantes do uso inadequado das mesmas.
Em resumo, devemos disponibilizar à família e à comunidade três ingredientes ativos e fundamentais para melhorar o bem-estar social subjetivo: Educação, Ciência e Cultura. Tais ações integradas e certamente limitantes da violência, uma vez praticadas, favorecem a integridade das instituições sociais, fomentam comportamentos preventivos e integram esforços sustentados por todos os segmentos sociais. Violência empobrece e diminui tudo que é humano. Limitá-la, portanto, é “longevizar” a Humanidade.
*Prefeito do Campus Administrativo da USP de Ribeirão Preto