José Ap da Silva
Sabado, 17 de Novembro 2007 - 20h33 A palavra segurança pode ter, no mínimo, duas acepções: um conjunto de medidas preventivas, que asseguram o estar livre de perigos, danos e riscos eventuais, assim como, o estar livre de incertezas sobre assuntos sobre os quais alguém queira manifestar opinião. No primeiro, a sociedade, através de serviços especializados e dispositivos de avançada tecnologia, busca minimizar, o mais amplamente possível, perturbações de ordem e sossego, furtos, atitudes suspeitas, danos e infrações que, uma vez atuantes, comprometem a tranqüilidade social. No segundo, é a condição básica para se fazer afirmações que, por sua condição polêmica, necessitam estar, corretamente, embasadas, a fim de não gerarem inverdades aviltantes e humilhantes para o objeto criticado.
Habitualmente, no município, as polícias militar, civil e municipal, sem nos esquecermos dos bombeiros e dos seguranças particulares, são os órgãos responsáveis pela manutenção da segurança em toda a cidade. Contrariamente, num campus universitário, e, em especial, no da USP-RP, além da segurança exercida por estes, quando requisitada, cada unidade de ensino é a responsável pela segurança de seu patrimônio, cabendo, à prefeitura do campus, a manutenção e segurança dos espaços comuns, como vias de acesso, portarias e sinalizações, entre outros. Não obstante, esta, mensalmente, verificando as informações, sugestões e reclamações que lhes chegam através do Fale Conosco, disponibilizado online pela universidade, bem como, através de relatórios emitidos pelos responsáveis dos serviços de segurança e mails enviados diretamente ao prefeito, emite relatórios a todas àquelas, divulgando a situação em que se encontra cada uma delas. Posteriormente, em reuniões administrativas, a prefeitura é receptiva a discussão dos problemas que as unidades queiram priorizar, a partir do que cada uma identificou nos relatórios recebidos. Logo, cabe a cada uma destas se posicionar para estabelecer suas sugestões. Complementarmente, os órgãos administrativos universitários superiores, da Universidade de São Paulo, em adição às verbas para custeio de segurança, de que são beneficiadas todas as unidades, vêem com bons olhos projetos, elaborados por estas, a proporem reforço de meios e tecnologias que visem melhorar a qualidade de segurança no Campus. Portanto, cabe, novamente, a cada unidade, mobilizar-se para tal.
Por sua vez, respeitar regras de trânsito, como, por exemplo, o limite de velocidade permitido no Campus, é cumprir orientação recebida da Transerp, a qual, levando em consideração o tipo de pavimento, usualmente paralelepípedo, lombadas e fluxo pedestre e automobilístico, na USP-RP, verificou ser aquele o melhor indicador a ser seguido. Não obstante, cumpre esclarecer que os limites do território USP precisam estar bem definidos na consciência das pessoas, antes destas se manifestarem contra alguma coisa. O alto do Monte Alegre, onde se localizam o HCRP, o Hemocentro e a USP, geralmente, é denominado, pela maioria das pessoas, o Campus da USP. Estão enganadas. A área do HCRP, assim como a do Hemocentro, são áreas distintas da USP, cujos limites estão delimitados pelas respectivas guaritas. Desta forma, quando, em estacionamentos livres, ainda que localizados em locais limítrofes aos uspianos, ocorrerem problemas, como, por exemplo, furtos, vandalismos ou afins, cabe ao responsável por cada área tomar as medidas cabíveis. Da mesma forma, se o vandalismo ocorrer em estacionamentos das unidades, é a diretoria desta que deve ser acionada, e não a prefeitura. Podendo resolver o problema, certamente, a unidade o fará. Caso contrário, seus dirigentes acionarão a prefeitura.
Com isso, afirmações do tipo “A prefeitura do campus, ela mente escandalosamente, que o campus tem segurança, o campus é seguro, por ter uma guarita aqui, outra guarita lá, e mentirosamente eles ficam fazendo aparecimento, mas de noite, você vai embora, ninguém sabe se você está roubando carro, se está levando mercadoria. Quer dizer, é pior a prefeitura do Campus, no sentido de segurança, do que qualquer supermercado, que tem controle do que está acontecendo. O Campus não: vai ao Deus dará. E Deus tem dado muito pouco.” (sic), bem como, “nós estamos vendo a besteira dos 30 km por hora, dos 60 km por hora, em locais que dão velocidade maior. Como também no campus de Ribeirão Preto inventaram que se tem na descida 30 km por hora. Se você descer a 30 km por hora, o carro pára! Você não tem como discutir essas idéias.” (sic), servem, apenas, para mostrar que o uso do “berro” não é preciso. Reivindicar, coerente e embasadamente, é, sim, indispensável. O exercício da cidadania e da crítica, semelhante a ter “dor”, é algo que reclama sensação, percepção e consciência, qualidades estas que qualquer bom crítico ou bom pesquisador deve ter, e aliadas, sempre, como dizia Descartes, a uma boa dose de bom senso. Uma vez que teóricos acreditam ser a educação associada à redução de criminalidade, qual a vantagem de tanta titularidade num cenário universitário que se vê desobrigado de ser educado? Se este não consegue distinguir a quem cabe determinadas responsabilidades, bem como, se este valoriza a prática da alta velocidade, ao invés da educação no trânsito, como poderemos reduzir a violência?
É preciso que cidadãos e pesquisadores sejam mais altruístas, caso, realmente, queiram rehumanizar as relações humanas.
Prefeito do Campus da USP de Ribeirão Preto*