Jornal A CIDADE

Caderno C

Sexta-Feira, 7 de Dezembro 2007 - 22h50

Chame a Polícia

Angelo Davanço
WEBER SIAN Chame a Polícia VETERANO Max viu de Queen a Iron Maiden e hoje vê o Police

Hoje à noite a polícia será o centro das atenções no Rio de Janeiro. Mas não se trata de mais uma operação do Bope nos morros cariocas e sim o retorno do grupo The Police ao Brasil, após 25 anos, quando, no auge da carreira, lotou o Maracanazinho para um único show. Músicos de temperamento pra lá de difícil, Sting, Stewart Copeland e Andy Summers não se suportavam e resolveram dar um fim ao grupo pouco tempo depois do lançamento de Synchronicity (1983), o quinto disco do trio.

Sting e seu alaúde
Com o fim do grupo, Sting, o mais popular dos “polícias”, se dedicou a trabalhos solo como músico de jazz, fez dueto com Tom Jobim, tentou salvar os índios do Amazonas e gravou um disco inteiro mostrando seu talento ao alaúde, um instrumento de cordas da época do Renascimento.
Copeland fez um filme sobre o grupo que Sting não viu. Summers escreveu um livro com a história do trio. Sting também passou longe. Até que um dia colocou na cabeça que queria fazer algo surpreendente. Não deu outra. Bastaram alguns telefonemas e lá estava o Police ensaiando para mais uma turnê mundial, que começou em maio, no Canadá, e tem previsão de término em junho do ano que vem, na Alemanha. Isto é, se os três cumprirem o pacto de convivência pacífica que fizeram.
- Se a gente pensar bem, astros pop são sempre intragáveis, avalia o músico Henrique Bartsch, do grupo Nós.

Eu fui
O irmão de Henrique, Max Antonio Bartsch, 43 anos, saiu ontem à tarde de Ribeirão rumo ao Maracanã. Antes, faria uma parada em São José dos Campos para encontrar o filho Renato, de 16 anos, e seguirem viagem.
- Meu pai me mostrou as músicas e gostei do som, uma mistura com o reggae mais antigo, daí comecei a pesquisar na Internet e gostei mais ainda, afirma o metaleiro Renato. O garoto sabe das coisas, já que o Police fez fama justamente por misturar o rock com o reggae.
- O Police fez para o reggae jamaicano o que o Elvis fez pelo rock, uma música que nasceu com os negros, explica o tio Henrique.
Veterano em apresentações internacionais, Max já viu shows do Queen, Michael Jackson, Madonna e os três Rock´n Rio. E já se prepara para rever, ao lado do filho, o grupo de metal Iron Maiden, em março do próximo ano.
- Se ele quiser, vou junto, promete Max, para alegria de Renato, que foi informado pela reportagem. Olha lá Max, promessa é dívida!

Fã de carteirinha
Quem também vai engrossar o coro na platéia do show de logo mais à noite é o casal de namorados Alexandre Luiz Campaner Centola, 35 anos, e Simone Aparecida da Silva Anastácio, de 27. Os dois saíram ontem à noite de Ribeirão Preto e planejam chegar ao Maracanã por volta das 19 horas.
- Nunca fui de chegar muito cedo aos shows, mas uma vez fiz isso e acabei assistindo toda a passagem de som da Madonna. Ela cantou por cerca de 45 minutos e eu acabei assistindo duas apresentações dela, revela.
Sabendo que Alexandre é fã de carteirinha do Police, foi a namorada Simone quem batalhou para ganhar um par de ingressos na promoção de uma rádio local.
- Sei que vou ouvir os clássicos no show, como Message in a Bottle e King of Pain, mas o que eu quero mesmo ouvir é a música Born In The 50’s, diz Alexandre.
Caça-níqueis?
Com tantos outros grupos anunciando o retorno, como Led Zeppelin e Sex Pistols, a turnê do Police também deixa uma suspeita de caça-níqueis no ar.
- Não vejo muita razão para eles voltarem, mas como diversão, para eles e para o público, é válido, afirma o comerciante Oswaldo Colucci, dono de uma loja especializada em discos de rock dos anos 70 e 80.
Ele diz que ainda hoje os discos do Police são procurados, principalmente pelos jovens, talvez querendo conhecer o grupo que fez a cabeça de seus pais nos nos oitenta.
- Esse pessoal é como vinho, quanto mais velho, melhor, decreta Henrique Bartsch.
Sendo assim, ouça sem moderação.


SERVIÇO

O Canal Multishow transmite o show do Police hoje, ao vivo, a partir das 21h27.
A Globo vai passar um compacto do show amanhã, após o Domingo Maior.


Paralamas
“Police brasileiro” faz o show de abertura
Para abrir o show do Police no Brasil, a produção escolheu os Paralamas do Sucesso, “filhos” diretos do tipo de som que Sting e companhia fizeram.
- É uma grande homenagem. Paralamas abrindo para o Police é o equivalente a Rita Lee abrindo para os Rolling Stones, avalia o músico Henrique Bartsch.
Os próprios integrantes dos Paralamas admitem a importância do Police na vida da banda, como revela o baterista João Barone, em entrevista respondida por e-mail.

Muito se fala que os Paralamas surgiram influenciados pelo som feito pelo Police no início dos 80. Você concorda?
Certamente, o Police foi referência para todo mundo que estava aparecendo nos anos 80, não só os Paralamas. Depois que o Herbert viu o show deles aqui (no Rio) em fevereiro de 82, sua idéia sobre uma banda ganhou novos contornos e, pouco depois, acabamos formando o trio.

O fato deles serem um power trio colaborou para reforçar esta idéia?
A idéia do trio de rock não é nova, vem desde o Hendrix, Cream, mesmo o Led Zeppelin era um trio com um vocalista. Mas o Police virou uma referência mais pop, pois o Rush também é um trio e apesar de ser uma banda fora do eixo pop, tem muitos fãs e influenciou muita gente. Inventaram de tudo na época para associar Os Paralamas com o Police: um trio com o baixista louro, a guitarra “new wave” e, além de tudo, o baterista que copiava o Copeland...

Mas, o Copeland é uma referência para você, não é?
Sem dúvida. O Copeland fez uma fama incrível como baterista, mesmo fugindo dos clichês dos grandes “malabaristas” do gênero, pois ele não gosta de solar, por exemplo. Considero ele o Ringo Starr dos anos 80, o cara que faz o ato de tocar parecer fácil mas, acima de tudo, sua grande virtude é trabalhar em prol da canção, não se colocar entre a música e o ouvinte. Eu sempre ouço música como uma resultante, não adianta ver uma banda que só tem um cantor bom, ou um baterista bom, ou quem quer que seja. O importante é a resultante e nesse caso, o Police é um ótimo exemplo das partes que formam o todo.

Como você vê este retorno do Police?
Sou apenas um dos muitos fãs da banda que queria vê-los juntos de novo, assim, estou feliz, mesmo sendo outra hora, outro momento de cada um dos integrantes, mas a mágica está lá. Além do mais, eles ainda não são loucos de jogar fora o tanto de dinheiro que irão ganhar com esta empreitada.

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