Esportes
Segunda-Feira, 10 de Dezembro 2007 - 22h36
ANTES DA TRAGÉDIA Marcos Gomes comemorou a 1ª vitória na Stock, pouco depois Interlagos se calou
O decantado equilíbrio da Stock Car não é apenas um instrumento de propaganda da principal categoria do automobilismo brasileiro. O balanço da temporada, encerrada domingo em Interlagos com a vitória de Marcos Gomes (Medley), revela que oito pilotos subiram ao degrau mais alto do pódio em 2007.
Desde a introdução da atual geração de chassis (2000) e motores (2001), apenas em 2003 houve igual alternância de ganhadores.
Com 23 anos, o ribeirão-pretano Marcos Gomes estabeleceu uma marca que dificilmente será repetida tão cedo na Stock Car. Ao conquistar sua primeira vitória em seu ano de estréia, o campeão da Stock Car Light de 2006 se tornou o terceiro representante de uma mesma família a chegar na frente. O pai, o tetracampeão Paulão Gomes, ganhou 40 corridas entre 1979 e 2001; Pedro, o irmão mais velho, venceu uma das etapas de Curitiba em 2004. Além de Marcos Gomes, outros três pilotos inscreveram seus nomes na galeria de vencedores da Stock Car: seu companheiro de equipe Ricardo Maurício, que levou a melhor na abertura do calendário em Interlagos; o vice-campeão Rodrigo Sperafico, ganhador em Curitiba na segunda etapa e na 10ª em Tarumã; e Duda Pamplona, vencedor da 11ª etapa, no Rio de Janeiro. O bicampeão Cacá Bueno ganhou três (Santa Cruz do Sul, Curitiba e Buenos Aires) e as demais corridas foram divididas entre Tarso Marques (Campo Grande), Antonio Jorge Neto (Interlagos), Thiago Camilo (Londrina) e Hoover Orsi (Brasília). O fechamento do campeonato confirmou a Medley como vice-campeã de equipes, com 183 pontos contra 223 da RC. Action Power, Vogel/Texaco, JF Racing, Red Bull Racing, Terra Racing, Officer Pamplona’s, AMG, Boettger, Vivanz 307 Racing, Cimed Racing, L&M, RC3 Bassani, Hot Car e Nascar completam as 16 que garantiram presença na competição no ano que vem ao lado da campeã da Stock Car Light, a AMG Motorsport. O grid máximo de 34 carros, no entanto, ainda depende de negociações entre os organizadores da Stock Car e a CBA. A categoria só voltará a entrar na pista nos testes coletivos de Interlagos em março, quando equipes e pilotos travarão o primeiro contato com os pneus Goodyear que passarão a equipar os carros no lugar dos Pirelli. Até lá, a dança das cadeiras continuará intensa. Poucas equipes confirmaram a sua formação em 2008. Entre elas, a Medley, com Marcos Gomes e Valdeno Brito.
Morte de Sperafico foi a 3ª da Stock Car desde 1979
Autódromo é local de barulho. Não tem como ser diferente. Mas quando em pleno dia de competição um silêncio profundo, assustador, invade os boxes é porque algum acidente bastante grave aconteceu.
No início da tarde do domingo, esse tipo de silêncio aterrorizante se estendeu pelo paddock e as arquibancadas de Interlagos. Ficou lá um bom tempo, ao lado de expressões de elevada ansiedade, até que a notícia da morte do jovem piloto Rafael Sperafico, de 27 anos, fosse confirmada.
Na sexta volta da corrida de Stock Car Lightr ele bateu na proteção de pneus da curva do Café, ponto negro do circuito, regressou à pista e recebeu o impacto do carro de Renato Russo, a cerca de 190 km/h. Rodas, peças de vários carros e pedaços da carenagem voavam para todo lado. Russo está hospitalizado.
“O acidente foi do pior tipo, definido por nós como choque em T” explicou Dino Altmann, médico-chefe da Stock Car e da Fórmula 1 “O carro de Russo bateu no lado do piloto do Stock de Rafael, num ângulo de 90 graus. Isso causou traumatismo craniano severo e parada cardiorrespiratória, que não conseguimos reverter em nenhum instante.”
A festa da última etapa da Stock Car transformou-se em tragédia.
Os gêmeos Rodrigo e Ricardo Sperafico, primos de Rafael, choravam inconsoladamente, enquanto a maioria dos pilotos da Stock Car permanecia em choque. Foi a terceira morte da categoria desde que foi criada, em 1979.
DA REPORTAGEM