Agronegócio
Quarta-Feira, 12 de Dezembro 2007 - 23h12 Quase um terço dos 1,1 mil funcionários da usina Santa Luiza, em Motuca, já fizeram a rescisão de contrato. Cerca de 170 aceitaram a proposta de transferência para outras unidades do grupo. Outros 89 foram demitidos e muitos deles vão ter que deixar as casas construídas pela empresa.
O anúncio do fechamento da usina criou um clima de incerteza na cidade.
Apreensão
Os moradores do bairro Malzone estão apreensivos. As casas foram construídas pela usina para os funcionários e os que não foram transferidos já foram notificados a deixar os imóveis num prazo máximo de seis meses.
É o caso do operador de centrífuga José João Santana, que trabalhou 11 anos na empresa, nove deles morando na casa.
O porta-voz da usina informou que os funcionários que optarem pela transferência para outras unidades vão continuar nas casas.
Motuca tem quatro mil habitantes e o desemprego é apenas um dos problemas vindos com o fechamento da usina.
Do orçamento do município, 48% vêm do ICMS gerado pela usina. Isso significa R$ 2 milhões a menos por ano. Com o Imposto Sobre Serviço (ISS), serão R$ 30 mil a menos por mês.
A dona do único supermercado da cidade, Maíra Figueiredo Fascinelli, prefere pensar que o problema terá uma solução. “No momento é bom nem pensar muito”, diz a comerciante, que emprega 22 pessoas.
A Usina Santa Luiza, iniciou sua atividade na cultura canavieira em 1958, na produção de açúcar, e em 1960 também começou a produzir álcool.
A colheita em área própria era 90% mecanizada e o raio máximo de transporte até à produção era de apenas 14 km.
Tinha capacidade de moagem de 1,8 milhão de toneladas de cana-de-açúcar.