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Quinta-Feira, 27 de Dezembro 2007 - 22h16

Praça terá busto de Schmidt

Nicola Tornatore
WEBER SIAN Praça terá busto de Schmidt 'NÃO DÁ' Paulo Santana vai sempre à praça: à espera do novo busto

Uma das mais antigas praças de Ribeirão Preto voltará a exibir o busto de seu patrono.
A praça Schmidt, na avenida Jerônimo Gonçalves, onde fica o Pronto-Socorro Central, vai ganhar de volta um busto do rei do Café, o coronel Francisco Schmidt, um dos personagens mais importantes de Ribeirão Preto.
Provavelmente fundido em cobre, o busto, instalado sobre um pedestal há 80 anos, foi furtado em outubro do ano passado. No dia 17 daquele mês a Guarda Municipal registrou boletim de ocorrência.
O crime nunca foi solucionado. E a homenagem ao ex-presidente da Câmara Municipal de Ribeirão Preto ficou na lembrança de quem já passou por aquela praça.
O secretário municipal da Infra-estrutura Nilson Baroni disse ontem que a Prefeitura vai providenciar a confecção de um novo busto.
“O que estamos discutindo é qual o local mais adequado para a sua instalação, para que não tenhamos de novo problemas com ladrões”, disse Baroni.

Apoio
José Luiz Cerqueira Couto, taxista há quatro anos no hoje ponto unificado Rodoviária-praça Francisco Schmidt, é a favor da volta do busto para o logradouro.
“É triste olhar para o local é só ver o pedestal. Faz falta”, lamenta ele. “Mas é preciso um busto com material que não seja novamente roubado”, sugere.
Paulo Tomé de Santana, operador de máquinas, sempre que pode vai à praça checar se o busto retornou. “Ele integrava o local e, sem ele, não dá”, comenta.
Jonas Aparecido Izo da Silva, coordenador do ponto de táxi da praça Schmidt, também pede um novo busto. “É uma questão de respeito à memória de Ribeirão Preto”, comenta.
O busto foi instalado na praça em 1927, durante as comemorações pelo 2º centenário da chegada do cafeeiro no Brasil.

Rei do café
Schmidt nasceu em 3 de outubro de 1850 em Osthofen, na Alemanha, e morreu em 18 de maio de 1924, em São Paulo.
Chegou a possuir 62 fazendas, onde existiam 16 milhões de pés de café. Em 1913, Schmidt era o maior produtor de café do Brasil e por isso recebeu o título de “rei do Café”. Apesar do domínio absoluto do café em suas fazendas, investiu na diversificação de atividades.Foi o responsável, por exemplo, pelo primeiro engenho de açúcar da região, em Sertãozinho, em 1906 (Engenho Central, no atual município de Pontal).


Local era a Praça da Estação
Entre 1884 e 1900, a área hoje ocupada pela praça Schmidt era conhecida como Largo da Estação ou praça da Estação (da Mogiana).
Segundo o Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto, em 3 de novembro de 1900, por indicação do vereador Aureliano de Gusmão, o terreno da Praça da Estação deveria ser adquirido para a construção de uma praça em homenagem ao coronel Francisco Schmidt. A indicação foi aprovada.
O aterro da praça e a construção dos parapeitos ao lado do ribeirão Preto foram realizados pela Companhia Mogiana, por meio de um convênio com a Câmara Municipal.
Relatório da Prefeitura de 1923 fala do calçamento da praça com paralelepípedos. Em 1925, relatório da Prefeitura cita as obras na praça, incluindo “parque com soberbo gramado e esplêndidos passeios de mosaicos de cor”. Em 1927, na comemoração do 2° centenário do cafeeiro no Brasil, a praça ganha um busto de seu patrono.

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