Vicente Golfeto
Segunda-Feira, 31 de Dezembro 2007 - 10h23 Saber ver é a mais longa aprendizagem de todas as artes. Isto porque muitas pessoas vêem mas não enxergam. Outras ouvem, mas não escutam.Esta maneira de ver é mesmo uma arte difícil. Porque enxergar é ver o que outras pessoas não vêem. É ver além. Esta falta de visão parece-me ser a do ceguinho de Jericó, aquele que – falei dele no dia de Natal – ao ver Jesus passar, começou a gritar: “Jesus, filho de David, tem misericórdia de mim”. Jesus, depois de insistência do ceguinho, parou e perguntou-lhe: “que queres que eu te faça”. E o ceguinho respondeu: “Senhor, que eu veja”.
Tenho esperança de que, a partir deste Ano Novo de 2008, todos não apenas vejamos. Mas que enxerguemos o suficiente.
A esperança é um estado de espírito ou uma convicção que nos projeta para o futuro e já nos faz viver em função deste mesmo futuro. Ela é a terceira virtude teologal, vindo – no texto sagrado – sempre depois do amor e da fé. O Papa Bento 16, na sua primeira encíclica – Deus caritas est – nos fala do amor. A encíclica recentemente publicada, também de Sua Santidade, nos fala da esperança. É Spe Salvi. A próxima, certamente, será sobre a fé. “Sem fé é impossível agradar a Deus”. É o que lemos também no texto sagrado.Esperamos 2008 com a certeza de que Deus nos fará ver o que não conseguimos enxergar. Vê-se com os olhos do corpo mas enxerga-se com os olhos do espírito. É por isto que, quando queremos conversar com Deus – e conversar com Deus é orar – nós fechamos os olhos do corpo. É somente a partir daí que enxergamos com os olhos do espírito. Francis Bacon nos diz que “se quisermos atingir resultados nunca antes atingido, devemos utilizar métodos nunca antes utilizados”. Propormos a síntese beneditina para 2008: ora et labora. Ora e trabalha. Feliz 2008.