Júlio Chiavenato
Segunda-Feira, 31 de Dezembro 2007 - 10h24 O Brasil muda, mas a permanência do pior é a marca registrada que poucos percebem. A maioria se conforma.
Há 39 anos, em 13 de dezembro de 1968, editou-se o Ato Institucional 5, que oficializou a ditadura militar no Brasil.
Dez anos depois, em 31 dezembro de 1978, o execrável AI-5 foi revogado. Mas a ditadura ainda deu uns relinchos, com o general Figueiredo como chefe do governo. Ontem, portanto, comemorou-se 29 anos do fim do famigerado AI-5.
Junto com o AI-5 extinguiram-se a pena de morte no Brasil, a prisão perpétua e o banimento dos “inimigos da pátria”. Era a política do general Ernesto Geisel, de “distensão lenta, gradual e segura”. Muita gente acreditou que a democracia seria inaugurada em breve. Anunciaram o fim das torturas patrocinadas pelo Estado.
A tortura patrocinada pelo Estado acabou “hasta cierto punto”, como dizem os argentinos. Já não existem “terroristas” para serem exterminados. Mas continua, por exemplo, nas meninas presas com adultos nas cadeias do Pará e outros brasis. E nas execuções sumárias, algumas aplaudidas pela classe média, quando os Bopes do governo invadem o território que os bandidos tomaram dos pobres.
Não é porque as coisas melhoram que não pioram. Assim é no Brasil.
A normalidade, isto é, a vida sem medo de ser preso por pensar, a liberdade de opinião, o direito ao choque das idéias contrárias, no Brasil fazem parte da exceção: vivemos mais tempo sob o controle autoritário do Estado do que sob a proteção da lei.
Quando as coisas melhoram, pioram: as invasões da polícia nos guetos sociais mata mais gente hoje, do que a ditadura militar assassinou reprimindo os que lutaram pela liberdade. Belo começo de “ano novo”...