Júlio Chiavenato
Quarta-Feira, 2 de Janeiro 2008 - 22h19 Natal e Ano Novo foram um grande foguetório. Os doutores dizem que um dos sinais de inteligência é a adaptação. Se for verdade, os cristãos são inteligentíssimos: o culto ao fogo (depois sublimado nos fogos) veio do paganismo e incorporou-se ao catolicismo popular a partir do século V (e revela os ancestrais anseios e receios sexuais do ser humano).
Religiosidade e sexo à parte, hoje o problema é o sofrimento causado aos animais. Cães desesperam-se com a agressão sonora e podem enlouquecer.
Os ovos goram nos ninhos, os filhotes morrem, as aves se debatem na ramagem das árvores. Isto não incomoda os fogueteiros?
Como se sabe, os chineses inventaram os fogos de artifício. Mas antes existiram os gregos, a lenda de Prometeu e Zeus: o roubo do fogo e o dilúvio pré-Noé. Em termos reais, o homem conheceu o fogo há 500 mil anos. Dominando-o, utilizou-o nos rituais, para pedir o sucesso nas colheitas, espantar os maus espíritos etc. Depois canalizou o fogo para sua energia psíquica. Resumindo: promover o foguetório e “queimar” os fogos de artifício é a reciclagem contemporânea das antigas cerimônias que excitavam a energia sexual.
Está muito resumido. Voltemos a Prometeu, cujo nome hindu é Pramantha, a “madeira macho” que se usa para fazer fricção na “madeira fêmea” e produzir o fogo.
Pramantha é o falo e a “madeira fêmea”, côncava, representa a vagina. Jung dizia que os fogos são uma regressão aos tempos antigos. O doutor Freud afirma que se encantar com a queima de fogos de artifício é um ato de sublimação sexual.
Senhores fogueteiros: dane-se a origem pagã desse modo de louvar Deus. Não me interessa a sexualidade alheia. Mas por que agredir os pobres animais?