Jornal A CIDADE

Vicente Golfeto

Quinta-Feira, 3 de Janeiro 2008 - 22h57

Guerras diferentes


Os Estados Unidos travam três principais guerras nos dias de hoje. Das três, pelo menos duas são a interface de uma outra realidade.
A primeira guerra é a antidrogas. Esta guerra, em tempos de eliminação de fronteiras nacionais, agrava-se na medida em que o mercado mundial se unifica.
Há centros de produção e centros de consumo de drogas. O combate deve-se dar mais na ponta do consumo. E o país que mais consome drogas em todo mundo, na atualidade, são os Estados Unidos.
A política norte-americana insiste em combater a produção esquecendo-se – ou fingindo se esquecer – de que a procura é que faz a oferta. É uma realidade de mercado. Se há procura, a oferta aparece. O que vale para mercadorias, vale também para os serviços. Talvez – dizem os especialistas na arte da guerra – os Estados Unidos estejam combatendo do lado errado. Deveriam começar dentro do próprio país.
A segunda guerra é contra o terror. Terrorismo é a guerra dos fracos contra os fortes. É a versão moderna e mais atual das guerrilhas. Guerrilha é palavra de origem espanhola, tendo sido inaugurada – nos últimos cinco séculos – quando Napoleão Bonaparte invadiu a Espanha. Os espanhois, mais fracos, resistiam valendo-se da guerrilha, mais urbana do que rural.
O Oriente Médio – centrado na disputa dos judeus contra os islâmicos – é o maior exportador do terrorismo, que atinge todos os países que pretedem conter o avanço da fé de Maomé. Mas a guerra mais decisiva – embora não a mais cruel, porque todas são cruéis – que os Estados Unidos lutam é a que visa a garantir o fornecimento de petróleo e seus derivados para movimentar sua enorme máquina de produzir riqueza.
Em outras palavras: a frota de veículos está no mundo desenvolvido mas o posto-de-gasolina está nos países produtores de petróleo, boa parte deles de religião islâmica.
Duas das três guerras, como se vê, se confundem. Mas são diferentes.

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