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Sabado, 5 de Janeiro 2008 - 17h6

Ribeirão volta a produzir cerveja e realça aqüífero

Sidnei Quartier
J.F.PIMENTA Ribeirão volta a produzir cerveja e realça aqüífero FÁBRICA EM ATIVIDADE Depois de três anos a cidade retoma produção, desta vez artesanal e com preço até doze vezes maior

Ribeirão Preto voltou a produzir cerveja. E com um detalhe original: no rótulo, consta a indicação de que a bebida foi elaborada com “água do aqüifero Guarani”. Criação da Cervejaria Colorado, que há onze anos produz chope na cidade, as três cervejas, os mais recentes produtos da empresa, foram lançadas no começo de dezembro e batizadas de Índica, Appia e Cauim.
São cervejas em garrafas bojudas, de 600 ml, e já estão à venda em Belo Horizonte, Goiânia, São Paulo, Campo Grande, Rio de Janeiro, Angra dos Reis, Campinas, Jundiaí e Santos. Podem custar de sete a doze reais. Possuem alto teor alcoólico e devem ser consumidas com parcimônia - degustadas.
Numa delas, a Appia, o melhor sabor pode ser revelado se consumido com uma fatia de limão ou laranja na borda do copo.
A Índica, com sua robustez avermelhada, é apropriada para pratos condimentados ou frutos do mar.
Em Ribeirão, a Índica, a Appia ou a Caium já são comercializadas em quatro revendas, em empórios finos ou bares sofisticados.
Em Goiânia, há dois locais de revenda. Em Belo Horizonte, é distribuída em oito postos e em São Paulo, capital, os revendedores já passam de quinze.
A Cervejaria Colorado funciona na rua Minas, nos Campos Elíseos, numa área de 1.200 metros quadrados. Seis funcionários tocam a produção. O sétimo é o responsável pelas entregas.
A produção mensal é de 45 mil litros, entre chope e cerveja. Mas pode chegar aos 120 mil litros, no mesmo espaço físico, apenas dotando a máquina de melhoramentos. Mas isso não passa pela cabeça do dono. A Cervejaria Colorado tem vocação para produção limitada, também chamada de artesanal.
“Pretendemos crescer, aumentar nossa área de comercialização e nossa clientela, mas não temos pressa. Preferimos fazer um bom produto”, diz Rodrigo Nikima, gerente comercial.

Índica
Cerveja escura, sua fórmula foi originalmente criada pelos ingleses, na época em que a Grã-Bretanha dominava a Índia. Tem teor alcoólico de 7,0% e é elaborada com malte, cevada, lúpulo e rapadura. Principalmente lúpulo. Por isso, tem paladar encorpado. Sua produção é de dez mil unidades/mês e o preço varia de R$ 9,50 a R$ 12,00.

Appia
Cerveja clara em homenagem ao mel - appia - que leva em sua composição além do malte de trigo. Tem teor alcoólico de 5,5% graus e custa entre R$ 8,50 e R$ 10,00. Sua produção mensal é de dez mil unidades.

Cauim
Pilsen clara, com malte, cevada, lúpulos e mandioca. Seu nome vem do tupi e se refere a uma bebiba fermentada de cereais e mandioca feita pelos índios. Sua graduação alcoólica é de 4,5%, custa entre R$ 7 e R$ 9,00 e é a mais produzida: 20 mil garrafas/mês.

Tradição
Tradicional no ramo cervejeiro, Ribeirão teve sua primeira fábrica (Antárctica) inaugurada em 1911. Chegou a possuir três grandes cervejarias, entre elas a Cia Paulista. Depois da decadência, acentuada nos anos 90, a cidade produziu as últimas unidades em 2004, por uma empresa canadense, a Molsen, na hoje extinta fábrica da Antártica.

Criador de Índica, Appia e Cauim não é de beber muito
O pai das três mais novas cervejas produzidas em Ribeirão Preto tem 29 anos e é casado. Mineiro de Araguari, Rodrigo Silveira nunca foi de beber muito. No máximo, arriscava alguns copos nos finais de semana. Mas depois que se tornou cervejeiro, há quatro anos, passou a beber diariamente, com hora marcada: nos finais de tarde, entre os oito procedimentos de um bom cervejeiro, o principal deles é a degustação. Então, Rodrigo passou a zelar por suas criaturas.
Mas também se preocupa com a densidade da bebida, com o seu pH (potencial de hidrogêneo), com a vitalidade do fermento e a análise visual.
Rodrigo Silveira foi moldado cervejeiro na Colorado mesmo. Há onze anos, quando a empresa se instalou em Ribeirão, passou a ajudar o patrão, Marcelo Carneiro da Rocha, 47, a elaborar o chope. Se interessou pelo trabalho. Ato seguinte, iniciou treinamentos para se tornar cervejeiro.
Passou a degustar cervejas especiais de todas as partes do mundo, de diferentes sabores. Diplomou-se no Senai (Serviço Nacional da Industria) em Vassouras (RJ) e fez curso na World Brewinhg Academy, uma famosa escola norte-americana. Ao todo, já experimentou mais de cem marcas. No ano passado esteve no festival britânico de cervejas e experimentou trinta marcas inéditas.
Há mais de um ano vem trabalhando na elaboração da Índica, Appia e Cauim. “Foram muitos os testes, as experiências, os acertos e os ajustes até chegar a textura ideal”, disse Rodrigo.
Ele está tão confiante numa de suas criações, a Índica, que acaba de inscrevê-la na Copa do Mundo da Cerveja, que será disputada em junho nos Estados Unidos.

Chope e Cerveja
Os dois produtos são fabricados juntos. A separação ocorre no envase. O chope vai para o barril e a cerveja é engarrafada com temperatura de zero grau.
Depois disso, as garrafas são levadas para um tanque, onde durante noventa minutos são submetidas a banhos quente (60 graus) e frio (25 graus). Esse processo é chamado de pasteurização. Depois disso, a garrafa é rotulada, encaixotada e levada para o depósito.

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