Jornal A CIDADE

Júlio Chiavenato

Sabado, 5 de Janeiro 2008 - 17h24

Ida


Ida Tarbell morreu em 6 de janeiro de 1944, há 64 anos. Ela é autora da primeira e mais completa reportagem investigativa da história do jornalismo. Seu trabalho foi mais importante para a história mundial – e dos Estados Unidos em particular – do que as revelações de Woodward e Bernstein sobre Watergate. Mais importante até, do que a publicação dos Documentos do Pentágono, em 1971, que precipitou o fim da guerra do Vietnã.
Nos EUA suas reportagens foram mais decisivas que os artigos de Emile Zola (Eu acuso) no jornal L’Aurore, na França.
De 1902 a 1904, na McClure’s Magazine ela denunciou o truste do petróleo, as falcatruas e crimes de John D. Rockfeller, que contribuíram para a condenação e o desmembramento da Standard Oil em diversas empresas. (As reportagens foram reunidas em livro, em 1907, sob o título The history of the Standard Oil Company).
Influenciada pela força dos textos de Ida Tarbell, a Suprema Corte dos EUA decidiu, em 15 de maio de 1911, que “em nome da segurança da República, essa perigosa conspiração deve ser encerrada até o dia 15 de novembro”.
Era a execração de Rockfeller pela Lei Anti-Truste, baseada principalmente nas investigações de Ida.
Ida Tarbell trabalhou há mais de cem anos, quando ser mulher e sair à rua já era uma “provocação” ou “atestado de maus costumes”.
Superou dificuldades fáceis de imaginar, enfrentou o banditismo do capitalismo selvagem, num tempo em que os magnatas, enquanto davam festas fantásticas e construíam mansões absurdas, mandavam matar quem denunciava suas falcatruas.
Escreveu, publicou e ganhou a parada: contra Rockfeller, cuja família até hoje treme ao ouvir o nome de Ida Tarbell (5-11-1857/6-01-1944).

  • Imprimir
  • Enviar

É proibida a reprodução do conteúdo dessa página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso sem autorização escrita da Empresa Jornalistica Orestes Lopes de Camargo S\A
ARZ