Vicente Golfeto
Segunda-Feira, 7 de Janeiro 2008 - 22h38 Friedrich Nietzsche, filósofo alemão morto em 1900, fez a síntese que esclarece os momentos que vivemos. O século XIX, portanto, continha a chave para se decifrar o mistério do século XXI. E de todos os séculos, diga-se de passagem. Ele diz: “o mundo terá sempre o sentido que nós lhe dermos”.
O mundo é moldado pela ação coletiva.
Vejamos esta realidade no mercado financeiro, que não raro – em termos internacionais – contamina, positiva ou negativamente, a realidade econômica dos países e dos blocos de países.
Pela importância da economia norte-americana dos dias de hoje, seus agentes econômicos – donos de capitais, consumidores, investidores – influenciam, para o bem e para o mal, todos os países, o nosso incluído. Quanto mais os investidores e os consumidores pensam que haverá recessão, mais provável ela se torna. Não raro, fica provado que a recessão, com origem no fato econômico-financeiro, pode efetivamente ser detonada a partir de noticiário pessimista da mídia.
Opinião pública é o que se publica, diz o velho aforisma brasileiro. A opinião pública torna-se otimista ou pessimista conforme a realidade mas sobretudo – e principalmente – a partir de notícias reais ou de boatos disseminados pela mídia.
O boato somente perdura quando a transparência é pequena. É como a especulação, que é sempre falta de publicidade. E ambos – boato e especulação – que são comuns no mercado em seu sentido amplo, existem na medida em que a publicidade estiver em desconformidade com os fatos.
Assim, uma recessão que poderia ser evitada, pode ser precipitada se for: 1- fomentada pelos meios de comunicação; 2- apoiada em dados e números ainda não suficientemente publicados, divulgados ou oferecidos ao conhecimento dos principais agentes econômicos e financeiros.
É também por isto que a liberdade de imprensa, como ação humana, está sempre subordinada à ação de responsabilidade civil.