Jornal A CIDADE

Leia_A_cidade

Júlio Chiavenato

Segunda-Feira, 7 de Janeiro 2008 - 22h38

Mu$$arela


Como no Brasil tudo termina em pizza, não se admira que a muçarela é a campeã de cartas dos leitores de A Cidade. O jornal de domingo trouxe algumas cartas reclamando que este vibrante matutino grafou o gorduroso laticínio com cê cedilha (e por que matutino tem a ver com matinal e não com matuto?). Uei, paesano, e perché non mozarela, como preferem o doutor Houaiss e o professor Aurélio?
Mozarela fica mais perto do italiano mozzarella e do paulistanês mutchzarela, como dizem os pizzaiolos baianos nas cantigas da Mooca, em São Paulo. Preferências culinárias ortográficas à parte, cada um sabe do seu colesterol e, sempre, pode-se apelar ao doutor Rosa Guimarães, para quem que pão e pães é questão de opiniães.
Muçarela/mozarela ou mussarela, como escrevem seus fabricantes nas embalagens – é verdade, com dois esses parece mais gostosa – é o estrangeirismo que melhor se adaptou ao Brasil. E cresceu com força avassaladora. Tanto, que tudo termina em pizza nessa pátria amada.
Vejam o Zé Dirceu. Falou pelos cotovelos à revista Piauí e dedurou os companheiros gaúchos. Disse que a sede do PT em Porto Alegre foi comprada com grana saída do Caixa 2.
Jogou lama nas “reservas morais” do partido, Olívio Dutra e Raul Pont, que respingou no ministro Tarso Genro. De quebra, afirmou que o Lulinha, filho do presidente, é mentiroso, além de insinuar que ele pegou dinheiro da Telemar.
E o que aconteceu no dia seguinte? Desmentidos? Processos? Não, ele pediu desculpas e os atingidos disseram que tudo bem, “ele se desculpou”.
Como um pisão no pé: foi sem querer. No caso do Zé Dirceu foi sem querer querendo. Sem problemas, a pizza vem plena de mu$$sarela, gorda e com dois $$.

  • Imprimir
  • Enviar

É proibida a reprodução do conteúdo dessa página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso sem autorização escrita da Empresa Jornalistica Orestes Lopes de Camargo S\A
ARZ