Júlio Chiavenato
Terça-Feira, 8 de Janeiro 2008 - 23h24 Imaginem um país sério, com rotas ferroviárias implantadas, algumas ainda com trilhos e razoável base estrutural, vivendo em um tempo de combustível caro e problemático. Imaginem esse país com uma malha rodoviária péssima, com apenas 10% em bom estado, mas cobrando dos usuários um dos mais caros pedágios do mundo. O que o governo faria?
Recuperaria a rede ferroviária. Imitaria os Estados Unidos, o Japão e a Europa. É um transporte mais barato e mais racional; se bem organizado funciona em harmonia com o rodoviário.
Leva mais gente e carga com menor custo. É mais confortável e seguro. Exige menos manutenção. A “frota” envelhece mais lentamente.
Mas estamos no Brasil. Temos condições para “reinventar” as ferrovias, porém, interesses maiores e menores e a burrice generalizada, nos obrigam a rodar em estradas esburacadas e voar em aviões de manutenção duvidosa, que utilizam aeroportos que conseguem a façanha de provocar acidentes aéreos em terra.
É um país que transforma palavras em mito, já que não pode transformá-las em realidade. Progresso é uma delas. Até há pouco tempo era “progresso” derrubar florestas, como na Amazônia, para pôr boi no pasto. Nossas cidades cresceram fabricando desertos e afogaram-se num mar de monocultura. Ribeirão Preto é um exemplo: café e cana.
O resultado é a criação de feudos econômicos e sua corte política, que fazem da politicanalha um meio de garantir privilégios para uma minoria cada vez mais rica.
Se fosse possível uma equação, somando o caráter do presidente da República ao do último vereador e dividindo por uma ética de solidariedade social, teríamos como resultado o tamanho imenso do “valor” do cretinismo brasileiro.