Júlio Chiavenato
Quarta-Feira, 9 de Janeiro 2008 - 22h59 Entre as forças mais presentes na história destacam-se o nacionalismo e a religião.
Na maioria dos casos a religião é o cimento do nacionalismo. Judeus, cristãos e muçulmanos não sobreviveriam nacionalmente sem a “liga” religiosa. Por essa “liga” eles assolaram o mundo e tiranizaram seres humanos, oferecendo em contra-partida mártires para a adoração e exemplo.
Hoje, reagindo aos livros que criticam as religiões e negam a existência divina, os crentes protestam contra os que denunciam os excessos da fé que levam ao fanatismo e degeneram nas matanças contemporâneas; mas permanecem indiferentes que em nome de Deus ou de Alá e em defesa do nacionalismo aconteçam chacinas e guerras. E conformam-se com a extrema injustiça social.
Se fosse pouco, a gula dos “empreendedores” internacionais por petróleo e estratégias geopolíticas põe fogo nas disputas nacionais e invade países sob o pretexto de “apaziguar” os fanáticos.
Essa situação, nessas várias etapas, produziu recentemente massacres no Afeganistão, no Iraque, e a tragédia do Oriente Médio, sem esquecer dos dois casos mais atuais: Paquistão e Quênia.
O Paquistão nos remete, naquilo que se poderia chamar de causas aparentes, ao Afeganistão, massacrado pelo Taleban, pela Rússia soviética e pelos Estados Unidos. No Quênia repete-se a situação de Ruanda: as fotos nos jornais parecem ser as mesmas das chacinas entre tutsis e hutus.
Que o mundo sempre foi uma porcaria, já sei e todos sabemos, como ensina o tango.
O cambalacho atual porém, ultrapassa os limites da ferocidade humana. Porque o homem é feroz: basta dar-lhe uma religião e uma nacionalidade para defender. E a esperança do lucro. Ele pega, mata e come.