Júlio Chiavenato
Quinta-Feira, 10 de Janeiro 2008 - 23h6 Nesse país de reviravoltas e coincidências estranhas, certas expressões revelam nosso caráter político: “não foi bem assim”; “você não entendeu”; “veja bem...”. No Brasil nada é o que parece. Pode mudar de um dia para outro. Às vezes, na mesma hora. Então, juntam-se duas frases: “você não entendeu, veja bem...”.
Do presidente ao humilde funcionário, as coisas mudam com velocidade impressionante. O presidente Lula por exemplo, meio nocauteado pelo fim do CPMF, afirmou que não haveria elevação dos impostos. Uma semana depois criou um novo imposto por decreto.
Os assessores do presidente explicaram que “não foi bem assim”: ao dizer que não haveria aumento de imposto Lula blefava – foi a primeira e fantástica explicação. Tal disparate, ignorado pela imprensa (ninguém ficou vermelho de vergonha ou indignação) foi substituído por outro mais “lógico”: o que Lula diz em um ano não vale para o outro. Em 2007 ele disse que não haveria novos impostos, mas estamos em 2008, como esclareceu o ministro da Fazenda.
Mal as bocas se fecham do espanto, vem o “você não entendeu, veja bem...” – e contam uma história que eles fingem acreditar e todos engolem. Despejam números maltratados, estatísticas furadas e programas que não saem do papel, mas que os acomodam nas idas e vindas.
E chega a vez das coincidências. A OI, novo nome da Telemar, anunciou que quer comprar a Brasil-Telecom. Como a lei atual proíbe a fusão, será preciso uma “penada” do presidente Lula para alterar as regras que inibem os monopólios, oligopólios e outros ólios. A OI conta com isso, pois por coincidência, quando ainda era a Telemar associou-se com R$ 5 milhões ao Lulinha, filho do Lulão que nos governa.