Jornal A CIDADE

Opinião

Quinta-Feira, 10 de Janeiro 2008 - 23h7

Estatísticas do perigo


Os acidentes nas estradas aumentaram em 2007 e o mais grave: o número de mortes cresceu também 14,4%, em relação a 2006.
São estatísticas que alarmam principalmente porque as explicações para a alta incidência de sinistros com vítimas fatais esbarram em dois motivos estruturais.
O primeiro deles é, sem dúvida, o grande incremento da frota de veículos, com todos os seus efeitos colaterais, benéficos ou não. Se a indústria vende mais, garantem-se, em tese, os postos de trabalho. Isso significa emprego e é bom para a população.
Porém, se os sistemas viários das cidades -como é o caso de Ribeirão Preto - já estão estrangulados- e, no caso específico do nosso alerta, também as estradas - não há muito o que fazer a curto prazo.
Outro problema crucial é a falta de opção de transporte ferroviário - cuja malha foi totalmente (e desastradamente) desarticulada, no país , e, agora, graças ao caos ou apagão aéreo, o recuo dos passageiros que relutam em tomar o avião, sob pena de não chegar a seu destino, por conta de atrasos, ou, até por uma suposta ou aparente falta de segurança que o tráfego aéreo inspira.
O fato é que precisaríamos ter, pelo menos, motoristas mais responsáveis para saber que as estradas não toleram excessos de qualquer tipo. Comer ou beber muito, antes, e depois correr muito, na hora de dirigir: tudo isso pode ajudar a engrossar as estatísticas de acidentes.
São Paulo tem uma boa malha para transportes terrestres. Importante é saber usá-la, com inteligência, cuidado e preocupação comunitária. E torcer para que se desmanchem os nós que a atrapalham.

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