Jornal A CIDADE

Vicente Golfeto

Sexta-Feira, 11 de Janeiro 2008 - 23h44

Mineirice e sucessão


Mineiros sempre tiveram mais habilidade para os negócios de Estado do que outros brasileiros. No I Império já se notara esta realidade.
Ao visitar a província das Minas Gerais, tão logo foi entronizado como o primeiro governante do Brasil, D. Pedro I ficou fascinado com a simpatia dos mineiros.
O patriarca da Independência, José Bonifácio – cujas obras demonstram seu perfil de estadista – avisou o imperador: “majestade, este – o mineiro – é o brasileiro mais finório. É preciso, em Política, tomar muito cuidado com ele”.
Esta habilidade para tratar dos negócios do Estado – que levou o mineiro José Maria de Alckmin, ministro da Fazenda do presidente Juscelino Kubitschek e vice-presidente da República do marechal Castello Branco, definir política como “a arte de arbitrar conflitos” - fez dos mineiros os mais bem equipados brasileiros para dirigir os destinos do país. E se revelaram de maneira insofismável no período de 1945/1964, onde pontificou aquele que, historicamente, pode ser considerado o mais importante partido brasileiro de todos os tempos.
Refiro-me ao PSD (Partido Social Democrático), durante muito tempo presidido pelo senador Ernani Amaral Peixoto, do Rio de Janeiro.
Estas observações vêm-me à mente exatamente no momento em que se começa a discutir a sucessão municipal em quase toda cidade brasileira.
Uma das lições do presidente Tancredo Neves, mineiro e do PSD, era a seguinte: “em eleições, mais importante do que escolher o candidato é escolher o adversário”.
Vale dizer: primeiro, escolhe-se quem vai ser malhado na sexta-feira santa do pleito. Só depois se faz a indicação do candidato.
Maniqueísmo puro. A eterna luta do bem contra o mal. O também mineiro Benedicto Valadares, exatamente aquele que só fazia reunião depois que tudo estivesse resolvido, sugeria que “em política é sempre bom ouvir mas nem sempre é bom escutar”.

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