Jornal A CIDADE

Boa Forma

Sabado, 12 de Janeiro 2008 - 17h31

Na pista da Fiúza

Simei Morais

Até parece uma academia a céu aberto. No começo da manhã e no final da tarde, a avenida João Fiúza, na zona Sul de Ribeirão Preto, fica repleta de esportistas de todo tipo, dos disciplinados que malham todo dia aos de ocasião, que aproveitam o empurrãozinho do verão para algum tipo de recreação.
Mesmo quem é religioso com os exercícios, faça chuva ou sol, se anima com as características da estação.
- O clima quente e o horário de verão ajudam. Se você sai do escritório e já está noite, pode bater um desânimo, mas pegar o final do sol dá mais gás, compara o advogado Júlio Calil, de 29 anos, que corre diariamente, há quatro anos, “sempre ao ar livre”, diz.
Se o clima convida, as calçadas largas são o passaporte para quem se exercita na avenida. É um diversificado vaivém de pessoas.
- Aqui, gente de todo o tipo se exercita: magro, gordo, sozinho, acompanhado, a pé, de bicicleta, com patins, relata Helder Vernile, personal trainer, de 45 anos.

Carrinho de bebê
No melhor estilo “é cedo que se aprende”, pais e avós vestidos para malhação não desaceleram o ritmo nem empurrando carrinhos. O advogado Marcelo Abdala, de 39 anos, sempre foi adepto da caminhada. O filho Felipe, de um ano e três meses, já o acompanha desde o primeiro mês de vida.
- Isso favorece o contato “pai e filho”, e ele já curte interagir com as pessoas que passam; se não vem, sente falta, conta Abdala. Antes de retomar o percurso, Felipe joga beijo para a repórter, dá uma piscadela charmosa, e ainda espalma a mão contra a mão do fotógrafo, como quem diz “toca aqui”.

Coleira
E uma profusão de raças de cães, com seus donos a tiracolo, completa o time dos atletas da Fiúza. Dos tradicionais e peludos cachorrinhos de madame aos quase exóticos dálmatas, tem espaço para todos, na pista. Direcionam a energia para a corrida e esquecem dos latidos esganiçados, se um outro canino treina ao lado. Também é comum cruzar com dóceis Pit bulls e seus músculos sarados, se refestelando na grama dos canteiros.
Parentes do Snoopy, o famoso cão do quadrinista Charles Schulz, os beagles Portus e Tito colocam o condicionamento físico em dia na região. Caminham duas horas e correm 50 minutos, diariamente. Claro, com o dono, o fisioterapeuta William Marasca, de 46 anos.
- Eles vêm comigo quase todas as vezes; têm pique para dar a volta no (bairro) Canadá todo, exibe. Os vivazes cãezinhos não saem da posição de “largada”, enquanto Marasca conversa com a reportagem. Bem, quase. Um deles vai mais além e ameaça “trocar de raia” quando passa uma fêmea lhasa apso. Tem coisas que a natureza não perdoa.


Grátis e gostoso
Malhação segura, ao lado da polícia
Além do clima agradável para a prática de esportes, a Fiúza tem uma academia diferenciada. A segurança do local é o destaque. No quintal do posto da Polícia Militar, logo depois do balão com a Presidente Vargas, há cinco aparelhos disponíveis à comunidade.
É só chegar, cumprimentar os policiais e usar. Quem dá a dica é Helder Vernile, que vira e mexe se exercita nos aparelhos feitos de madeira e ferro, como os que existem à beira de algumas praias.
- Dá para trabalhar todos os músculos, garante Vernile.

Liberdade, liberdade
Quando falam por que gostam de se exercitar ao ar livre, os entrevistados expandem o olhar para os lados e acima, e abrem os braços. William Marasca joga tênis em um clube, mas enche o peito para dizer sobre a “academia a céu aberto”.
- Essa coisa do ar livre, da liberdade de ver as pessoas, o lugar também é prazeroso, diz.
Há quem freqüente academia e não abra mão desse cenário. Eliana Pereira de Souza, de 36 anos, partiu para os exercícios de rua antes que se entediasse por completo com a malhação em local fechado.
- Fui cansando e resolvi mudar para não desistir. Fico mais empolgada, com os exercícios ao ar livre, justifica.
Eliana faz musculação na academia, e corrida em ruas e parques. Diz que o desempenho físico é bem melhor do que se usasse a esteira.
- Na rua você encontra altos e baixos, o terreno não é plano. Também tem que desviar de carros ou pessoas que aparecem; isso tudo dá mais resistência, avalia.

Guia de rua
Mas como qualquer atividade física, o exercício ao ar livre requer atenções especiais. Num cenário empolgante, em que ninguém olha para o chão, um dos cuidados é com o terreno irregular. Um andar em falso pode provocar lesões, alerta o personal trainer Roma Ribeiro, que todo dia leva alunos para correr ou caminhar em parques, ruas e clubes.
O tênis deve ser adequado para proteger articulações. Isso inclui um bom sistema de amortecimento, que nem sempre está nos modelos mais caros, avisa o personal.
- Ele amortece o impacto na articulação e reverte o esforço empregado na pisada, jogando a força de volta ao atleta, explica.
Roupas leves para permitir a transpiração e água constante são outros aspectos básicos, que influenciam na performance. O líquido ajuda a evitar a perda de sais minerais, que podem até levar à câimbra, aponta Ribeiro.
E se bater fome, contenha-se com uma fruta tipo laranja, que hidrata e gera pouca massa no estômago. Isso, depois de pelo menos meia hora já de descanso.
- A digestão será mais lenta porque a energia está canalizada para a recuperação muscular, esclarece.

Médico e exercício correto
A atividade mais indicada para iniciantes é a caminhada, mas antes de botar o pé na estrada, deve-se passar pelo consultório médico, alerta o personal. A avaliação de um fisiologista ou cardiologista é que identifica os níveis de exercícios adequados para o organismo.
- Isso evita desde torções até problemas sérios, como os cardiovasculares.
Correr por aí sem rumo também não adianta. Procure um profissional de educação física para obter um programa que responda às suas necessidades. E invista no alongamento correto, antes e depois dos exercícios, se não quiser herdar lesões e dores generalizadas.

Primeiros passos
Para um sedentário – ou o famoso atleta de final de semana-, andar de 20 a 25 minutos, três vezes por semana já é um bom começo. Após 30 dias, deve-se aumentar cinco minutos por semana, até chegar a 50 minutos de caminhada. Nesse ponto, acrescente mais um dia na tabela de exercícios.
Ao ultrapassar os 40 minutos, o condicionamento já está entre 30% e 50% melhor, compara o personal Roma Ribeiro.
- Para alguém que busca saúde, sem se preocupar em ser atleta, está muito bom, afirma.
Se a intenção é diversificar as atividades, pule para a bicicleta após três ou até seis meses, dependendo do caso. Para isso, você já deve manter “piques” (corrida) de um minuto, a cada cinco minutos de caminhada.
- A bicicleta exige mais força, além da função aeróbica, diz Ribeiro.


Serviço
Parques
Os parques Luiz Roberto Jábali (Curupira), na Ribeirânia, e Luiz Carlos Raia, no Jardim Botânico, ficam abertos das 6 às 20 horas, diariamente. O Tom Jobim, no Jardim Procópio, e o Maurílio Biagi, no Centro, são abertos permanentemente.

Cava do Bosque
Estão abertas as inscrições para os cursos oferecidos na Cava do Bosque, até o dia 25. Em fevereiro, começam as atividades para todas as faixas etárias. Os adultos, por exemplo, têm opções como hidroginástica, ginástica localizada, natação, taekwondo e tênis. Saiba mais pelo telefone (16) 3625-7891.

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