Marcelo Canellas
Sabado, 12 de Janeiro 2008 - 17h35 Eu quero rir. É minha meta para 2008. Ainda que seja possível fazê-lo sem motivos, eu gostaria de encontrar o sentido do riso franco e, assim, evitar o riso irônico, o riso cínico, o riso nervoso. Deus nos livre do riso sádico dos corruptos. Quero rir de satisfação, de alegria, de prazer.
Dizem que, ao sorrir, movimentamos 12 músculos da face. Se gargalhamos, são 24 músculos faciais que se mexem. E se conversamos e gargalhamos ao mesmo tempo, então são 84 músculos malhando de uma só vez. Ouvi dizer que esse tipo de exercício retarda o aparecimento das rugas. Pode ser.
Chaplin, que além de humorista genial era um notório gozador, morreu aos 88 anos, e vivia espalhando que o riso rejuvenesce. Dia desses, dentro do elevador do meu prédio, uma senhora, conhecida na vizinhança pela sisudez, teve um inacreditável ataque de riso ao olhar pra mim. Ela tentava se controlar, ficava vermelha, prendia a respiração. Inutilmente. Minha vetusta vizinha parecia uma criança dando bobeira. Pediu mil desculpas, dizia que não sabia explicar, que estava envergonhada e tal... mas continuava se estrebuchando de tanto rir. É claro que fui direto ao espelho, assim que cheguei em casa, pra ver se não tinha nada errado comigo. Sei lá, um feijão no dente, um cocô de passarinho na lapela, ou algo que explicasse o sucedido. Nada. Permanece envolta em mistério a gargalhada do elevador. Mas confesso que passei a achar minha vizinha muito mais simpática. Ataques de riso podem ser mesmo incontroláveis. Lembro da Lílian Wite Fibe chorando de tanto rir, ao vivo, ao ler uma notícia no portal Terra. Era o caso da prisão de uma velhinha de 80 anos e do namorado dela, de 50, por contrabando de ecstasy. Ocorre que a velhinha fora enganada pelo parceiro, que dizia tratar-se de cápsulas de viagra. A Lílian não se conteve, pôs-se a gargalhar descontroladamente. O vídeo é um dos campeões de acesso do youtube.
Outro campeão, com quase um milhão de acessos, é o vídeo de um bebê gargalhando com o título: “tente não rir”. Só isso. Um bebê dando gargalhadas cada vez que o pai dele faz: pimmm! Para mim, é a prova cabal de que estamos mesmo precisando disso. Então, gargalhemos em 2008. Desejo a todos os leitores que encontrem muitos e muitos motivos para rir. De preferência, na companhia de alguém divertido, porque rir sozinho não tem graça nenhuma.
Marcelo Canellas é jornalista e repórter especial da Rede Globo