Júlio Chiavenato
Sabado, 12 de Janeiro 2008 - 17h52 Como o conselheiro Acácio sabe, a vida é feita de ciclos. Quando os ciclos se fecham e insistimos em desempenhar o mesmo papel, há dois riscos: cair no ridículo ou na monotonia. Mas como nem tudo é perfeito, quase sempre escapamos pelo caminho da mediocridade. E da mesmice. Da repetição.
Havia uma regra no jornalismo antigo: 30-60. Dizem que foi criada pelo Oto Lara Rezende. Repórter devia trabalhar até os 30 anos e enquanto pesasse 60 quilos. Passou daí, perdia o alvará para cometer besteiras. Não tinha mais leveza para enfrentar o batente e adquiria um ceticismo incurável, que o desabilitava para a função.
Depois dos 30 anos e dos 60 quilos, se não se tornasse um imbecil completo, deveria cuidar da vida. Já passei dos 30 faz tempo e pelo andar da carruagem jamais chegarei aos 60 (quilos). O que me dá o diploma de imbecil completo: com todo o ceticismo acumulado contínuo batucando nas teclas.
Que fazer? Pegar o boné é fácil. O difícil é ficar indiferente ao que acostumamos a ver. Porque há algumas ciladas: embora o jornalismo nos dê uma capa de ceticismo e desesperança, pelo conhecimento quase completo da politicanalha, também nos dá uma revolta que não quer se calar, ao ver tanta injustiça e – não há outra palavra – sacanagem contra os humilhados e ofendidos.
No fundo, o que importa são eles: os excluídos, roubados e despossuídos de tudo.
A questão é: continuar no exercício ridículo, inútil e medíocre da mesmice, de gritar e murmurar, sem causar nenhum efeito se não o deboche dos criticados, sempre impunes e cada vez mais poderosos e ricos, ou, realmente, ser realista e pegar o boné, que por sinal, não uso? Porém aí, o problema: e o pão de cada dia?