Classe A
Sabado, 12 de Janeiro 2008 - 18h59
"Eu sempre fui monarquista. Aqui em Ribeirão mesmo defendi a monarquia, naquele plebiscito. Hoje já tem gente importante que explica a besteira da república, né? O império do Brasil- o único país de língua portuguesa que tem esse tamanhão"
Ele sempre esteve nos bastidores de grandes acontecimentos da cidade. Participou da mesa que discutiu a fundação da Faculdade de Medicina. Presenciou o início da exploração dos poços artesianos, quando ainda não se sabia muito sobre o Aqüífero Guarani e, diz ele, “a água saía do rio Pardo”. Também alinhavou o projeto que resultou na Ceterp - Centrais Telefônicas de Ribeirão Preto. E, em Brasília, ajudou a manter a empresa longe dos objetos de desejo do governo militar. Nos tempos de faculdade, no Largo São Francisco, em São Paulo, driblou um rigoroso adepto do DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda - do governo Vargas - para conseguir publicar um jornal que se chamava “Terra Vermelha”- uma inocente homenagem ao solo de Ribeirão, interpretada como um signo de simpatia aos comunistas. Wilson Roselino, casado, quatro filhos, sempre foi, porém, um assumido homem de direita.
E do Direito. Advogado, ainda ativo aos 88 anos, tem uma vasta e selecionada biblioteca que coloca à disposição para consultas, no prédio da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto. Bem-humorado, declina o lema que lhe garante longevidade e ótima memória: “saúde e dinheiro”. Sempre disposto a contar histórias, faz questão de revelar outro segredo: tem sempre um vinho branco na geladeira. E tradicionalista, confessa também que gostaria que o Brasil fosse um império - o maior já visto de língua portuguesa.
ENTREVISTA A HÉLIO PELLISSARI, VICENTE GOLFETO E ROSANA ZAIDAN
Rosana Zaidan - Quem é Wilson Roselino?
Wilson Roselino - Sou eu! (risos).
Rosana - E como é que o senhor se define na vida?
Roselino - Sou um advogado!
Vicente Golfeto - Em que ano o senhor se formou na São Francisco?
Roselino - Em 1943.
Golfeto- Em que ano o senhor começou aqui na ACI?
Roselino - Logo depois. Eu já era...aqui era um prédio velho e o advogado se chamava Sebastião Moura Bittancourt e eu estagiei aqui como advogado.
Rosana- O senhor nasceu em Ribeirão Preto?
Roselino - Sou de Morro Agudo. Nasci no dia 21 de setembro de 1919. Estagiei aqui e era um prédio velho. Depois o Amin Calil, que era o presidente da época, tratou de construir outro prédio. Aqui tive causas, muitas causas- era advogado novo- isso deve ter sido em 44. A primeira causa que tive foi sobre imposto de indústria. Apareceu uma pessoa- ele se chamava Mário Celeste Trivelato. Foi encaminhado e perguntei o que você faz? Ele disse que era tanoeiro. Corri para o dicionário, não conhecia a palavra. Perguntei:” o que você produz?” Ele disse errado: “é corote”. Fui ver no dicionário: era ancorote. De que é feito o ancorote? Ele disse aduela. Corri pro dicionário de novo. (risos). Aí entendi. Como ele estava vendo o embarque pra Argentina, a produção dele tinha sido apreendida na Estação da Luz, em São Paulo. Estudei e falei: o ancorote é um pequeno barril. Então mudei o nome da fábrica dele. Ficou sendo: “fábrica de barris de todos os tamanhos” (risos). E como o barril era isento, eles o isentaram de imposto federal.
Golfeto- O senhor já está na ACI há 66 anos!
Roselino - Desde estudante, pois é...
Rosana- O senhor veio quando de Morro Agudo para cá?
Roselino - Vim em 1923, quando meu pai comprou uma farmácia aqui. Meu pai era farmacêutico. Ele era formado em farmácia em São Paulo. Eu tinha três, quatro anos. De Morro Agudo ele trouxe a farmácia de manipulação. Ele era ajudado por um negro, chamado Januário. E começou a produzir os remédios aqui em Ribeirão. Depois a farmácia pegou fogo e ele abriu uma farmácia em Pradópolis, mas a família continuou em Ribeirão.
Rosana- Eram quantos irmãos?
Roselino - Dez.
Rosana- O senhor estudou em que escolas em Ribeirão?
Roselino - No Guimarães Júnior...Depois no Ginásio do Estado- naquele tempo não era Otoniel Mota. Fiz o Largo São Francisco, em São Paulo, e depois dei aulas de Direito aqui na Unaerp..
Rosana- O senhor é casado há 63 anos, é pai de quatro filhos, teve sempre a advocacia como atividade. Mas fazendo um balanço, hoje, quase aos 90 anos, que outras atividades o encantavam?
Roselino - Andei escrevendo muitas coisas no jornal A Cidade, antigamente, sobre assuntos...Por exemplo, poços artesianos. Porque eu era do DAET [ extinto Departamento de Água, Esgoto e Telefone]. Eu comecei a trabalhar primeiro na empresa de água e esgoto, que captava água do rio Pardo.
Rosana- Que coisa! (surpresa geral). Isso foi antes dos poços artesianos?
Hélio Pellissari- Nunca ouvi falar que Ribeirão captou água do Rio Pardo...
Roselino - É que a população era pequena, naquela época. Tanto que você pode pegar lá um papel do DAET [levanta-se para mostrar o documento, em que ele aparece como funcionário] . Aí virei funcionário público. Lá se captava água do rio Pardo e depois começamos a introduzir compressores para retirar água de poços profundos. Os compressores eram daquele tamanhão, grandes...Aí no governo do Costábile [prefeito Costábile Romano- 1956-1959], em 1956, ele empurrou um alemão e ele começou a trabalhar com o que existe hoje- poços artesianos- e ele teve dificuldade, porque o poço era torto e ele fez uma máquina torta.E saiu água na máquina torta. E começamos a trabalhar...
O alemão se chamava Alexandre Simeck. A primeira perfuração foi no Bosque. Ele regulava o trabalho pelo ouvido. E aí começamos a ter poços artesianos extraídos com bombas de profundidade retas. E hoje Ribeirão Preto não precisa pegar água do rio Pardo.
Rosana- E quem percebeu que era possível fazer esses poços artesianos? De quem foi esse planejamento?
Roselino - Eu vou dizer. Em primeiro lugar a gente queria saber se a água retirada dos poços artesianos era uma água que ia acabar...era um problema sério isso. Vai acabar, vai secar? O Gasparini- já o Gasparini [gestão 1964-1969]- mandou chamar lá no Rio de Janeiro a Petrobras, porque ela tinha a especialidade de procurar poço. E veio um corinthiano aqui chamado Plínio (o resto do nome eu esqueci), que ele era de São Paulo e emprestamos um automóvel para ele. E ele foi parar em São Sebastião do Paraíso com uma perua. Aí ele começou a dizer que a água não ia acabar... que era um aqüífero. Hoje já se sabe que é o Aqüífero Guarani! O Plínio dizia que a água vinha lá de São Sebastião do Paraíso. Perguntei: e o rio Pardo no caminho? Ele disse: ela passa por baixo... (risos).
Golfeto- Como eram os líderes dessa época, o Costábile, o Amin Calil: tem diferença dos de hoje?
Roselino - Tem! Em todos os ramos constatamos diferenças. Mesmo na Ordem dos Advogados, a cidade era menor, ela tinha uma atuação mais eficiente. Inclusive, coincidentemente, tenho aqui uma carta que me foi escrita pelo doutor Meira Júnior...
Ele me escreveu, aqui ó...(tira um cartão plastificado do bolso e mostra): “Roselino, hoje às 20 horas há uma mesa redonda no Centro Médico para estudar a fundação da Escola de Medicina. A Ordem (dos Advogados) foi convidada. Solicito você fazer as minhas vezes nessa Mesa. Assinado: J.A. Meira Jr. Data: 14/02/51.
Golfeto- Foi senador!
Roselino - Ele foi muito meu amigo, foi presidente da Ordem dos Advogados do Brasil- eu dizia a ele: o senhor aceite que a gente ajuda... Antes de morrer, ele falou: eles vereadores de Ribeirão Preto estão recebendo subsídios e eles não têm direito. Ele me disse: você precisa propor uma ação popular – que ainda era uma coisa rara- e eu propus essa ação popular porque fui estudar um caso no Rio de Janeiro, do general Ângelo Mendes de Morais...E eu propus uma ação popular, com rito de mandado de segurança. E caiu com um juiz chamado Pompilho Conceição. Ele anulou, disse que não podia ser. Nisso o Meira Jr. faleceu. E eu disse: acho que não vou mais voltar a propor essa ação, não tenho nada com esses vereadores aí. Aí ele (Meira Jr.) me acordou no sonho, no dia 7 de setembro. Com a bengala dele, me xingou: vai trabalhar! Me levantei e disse pra minha mulher: vou trabalhar. E escrevi de novo na minha máquina, no meu escritório, na rua Tibiriçá. Naquele dia não usei a borracha, fiz de uma vez. Propus a ação popular. E ganhei! Consegui suspender os subsídios dos vereadores.
Hélio- O senhor trabalhou em quantos governos municipais?
Roselino – Acho que trabalhei em quase todos. Eu não era de bater ponto em lugar nenhum. Era autônomo. Me quiseram...mas eu comparecia se precisassem de mim, porque eu era autônomo.
Hélio- O senhor participou mais diretamente do governo do Costábile?
Roselino - É. Mais do governo do Nogueira. E do Costábile também.
Golfeto- O senhor acha que é o advogado mais velho de Ribeirão?
Roselino - Atuante sou. Militante, em atividade.
Golfeto- Havia um advogado que gostava muito do senhor, que era o doutor Francisco Gugliano. Só para lembrar: teve alguma ação que marcou o senhor, em que o senhor tenha sido requerente ou requerido?
Roselino - O Gugliano ele era o primeiro ou segundo acionista da companhia Paulista. E eu então naquela época, começou a abertura de capital, que foi iniciada no período do Roberto Campos. E eu queria transformar a cervejaria em empresa de capital aberto. Podia ser sociedade anônima, controlada por ações ordinárias e vendia as ações preferenciais sem direito a voto, para fazer a cervejaria crescer. Eu fui professor de direito comercial, dava aula sobre formação de empresas, desde individual até S.A. Eu achava que nós podíamos abrir esse capital. Nesse mesmo período, a Brahma, lá no Rio de Janeiro, abriu capital. Eu mostrei [para a Paulista]: pode abrir o capital. Eles ficaram com medo de perder, não acreditavam que daria certo. Aí eu disse: não há o perigo de perder o controle. A Cervejaria Brahma, o controlador dela, que era um outro alemão, ele só tinha 15 ou 20%. A Brahma perdeu três presidentes num ano só- não sei dizer a data- e o controlador da Brahma não detinha 50% das ações, mas 50% das ações ordinárias, as que votam. As outras ações preferenciais não têm direito de votar , a não ser se não receber dividendo depois de três anos. Eu explicava isso, mas...E aí a cervejaria (Paulista) acabou.
Hélio- O sr. acha que se tivesse aberto o capital da cervejaria Paulista ela não teria acabado?
Roselino - É isso. Nessa ocasião o único que me defendia era o Gugliano. Ele era sempre esperto. Era uma espécie de ‘médium espírita’. Ele sabia de coisas incríveis.
Rosana- O senhor ainda tem sonhos como aquele do Meira Jr.?
Roselino - O do Meira Jr. foi no 7 de setembro: ele me acordou para fazer a ação popular, fiz e ganhei. Naquele tempo não tinha televisão e o Murilo Antonio Alves que era radialista da Rádio Record fez a entrevista desse assunto. Depois desse eu tive um sonho assim, lá na rua Tibiriçá, 431. Eu era advogado de um homem- que o doutor Meira é que me fez pegar a causa. Houve um tempo em que o Banco do Brasil era imune a qualquer demanda. Não era demandável. Então, ele me disse: pode demandar! Ele me fez a demanda, o doutor Meira. Ele bateu a demanda numa sexta-feira santa. Disse: “toca isso aqui que você vai ganhar”. Agora outro caso que eu tive de sonho: ele, o Meira Jr, me mandou defender um sujeito chamado Pérsio Ferraz de Camargo Penteado- dessa família de Jaú, da Camargo Correa. A tal demanda contra o Banco do Brasil. Mas ia demorar para pagar, compreende? Aí apareceram no meu sonho uns pedreiros derrubando uma parede e lá encontraram um corpo de uma senhora, com sinais de vida. E os pedreiros tinham roupa listrada. Aí falei para minha mulher que tinha tido um sonho assim. E fui para o escritório e fiquei lendo jornal. Aí, batem na porta essas mesmas pessoas que estavam no meu sonho. Um se chamava Facundo Arroio Gil, o outro Maximiano...Foram lá e pagaram o Pérsio. E era domingo, mas eles trabalhavam domingo.
Hélio- Uma das empresas mais bem-sucedidas de Ribeirão foi a Ceterp [Centrais Telefônicas de Ribeirão Preto]. E o senhor foi um dos responsáveis por ela. Como é que ele foi criada?
Roselino - A Ceterp eu comecei no primeiro governo Gasparini[1964-1969]. Eu fiz um projeto de instituição da Ceterp. Mas no final quem de fato teve que cuidar foi o Nogueira. Foi para a Câmara. Eu estudei a Ceterp com base na Embratel- e fiz o projeto.
Rosana- O que o senhor achou do resultado disso tudo, da venda da Ceterp?
Roselino - Foi simplesmente uma burrice. Não precisavam vender. Vou aqui, vou ali, vejo prédios que foram da Ceterp. Era uma empresa pública e ela não podia distribuir lucro. Mas ela pegava o lucro e comprava. E a prefeitura usava. E o Nogueira viajou comigo para Brasília, no governo Geisel, muitas vezes. Houve tentativa muitas vezes no governo militar de passar a mão na Ceterp e a Telesp- que foi fundada- queria ficar com a Ceterp. Mas tinha uma outra companhia, no Paraná, em Londrina...E aí o Nogueira convenceu um senhor lá em Brasília- Rubens não sei o que a falar com o Geisel. O Geisel não nos recebeu, mas mandava alguém. E nós dizíamos que a Ceterp não poderia ser perdida, que a prefeitura era a dona, e era onde a prefeitura de Ribeirão havia ganho a eleição. Foi a primeira empresa a fazer o DDD. Sem falar com a telefonista, se fazia a ligação...
Rosana- O senhor que acompanhou tantas, qual foi a melhor administração que Ribeirão já teve?
Roselino - De prefeito? O Nogueira. E Costábile. Gasparini também, depois. Eles disputavam quem faria melhor. O João Gilberto fez aquela Dom Pedro. O Nogueira fez a a avenida Costa e Silva, o Gasparini fez a Costábile Romano.
Hélio- Na sua opinião, qual era o mais arrojado?
Roselino - Ah, o Nogueira!
Rosana- O senhor era amigo dele, sente falta dele pessoalmente, como é?
Roselino - Sinto sim. Até tem um presente que ele me deu, na outra sala, uma ampulheta. Uma vez eu falei para ele como era o exame na faculdade onde eu estudei. A gente sorteava o ponto e ficava num lugar chamado purgatório, enquanto o outro estava fazendo o ponto. E tinha aquela ampulheta, que marcava o tempo.Eu tive um problema na faculdade (de direito, do Largo São Francisco, na USP, em São Paulo), que lá eu editei um jornal que se chamava “Terra Vermelha”. Era tempo do Getúlio [Vargas] e tinha o DIP- Departamento de Imprensa e Propaganda. E tinha um sujeito, um professor, Cândido Mota, que queria que eu mudasse o nome. Ele dizia: terra vermelha lembra comunismo! (risos). Eu dizia, isso não tem nada que ver, Ribeirão Preto tem terra vermelha. Aí fomos tomar chope num restaurante chamado Ao Franciscano, na rua Libero Badaró. E tinha um assessor desse Cândido Mota, eu falei pra ele: te dou mais outra chopada, mas você tem que me arrumar autorização para eu soltar o Terra Vermelha. Me pediram um ofício, mas o Candido Mota assinou num cartão, pensando que fosse de boas festas. Quiseram contestar, mas acabou saindo o jornal e eu atapetei a faculdade com o “Terra Vermelha”.
Rosana- O senhor chegou a ter uma simpatia pela esquerda nessa fase de estudante?
Roselino - Não, nunca. Fui da direita. Eu sempre fui monarquista. Aqui em Ribeirão mesmo defendi a monarquia, naquele plebiscito. Hoje já tem gente importante que explica a besteira da república, né? O império do Brasil- o único país de língua portuguesa que tem esse tamanhão. Dom Pedro I era um vitorioso, em todos os campos. Ele pode ter sido um problema porque foi obrigado a casar com quem a corte mandou.
Hélio- O senhor acha que a figura do rei moralizaria mais o país?
Roselino – Aqui no Brasil, o imperador. Seria importante pro Brasil, manteria a tradição nossa. Não precisaria implantar a República dos Estados Unidos do Brasil. Agora é República Federativa. Deveria ter continuado império. A república foi proclamada sem audiência popular. Ninguém ficou sabendo. Mas aqui em Ribeirão uns monarquistas deram alguns tiros....
Hélio- O senhor concorda com essa tese de que a república foi o nosso primeiro golpe?
Roselino - Concordo. Eu não falei isso, mas agora estou falando. Por isso que surgiu Luís Felipe Saldanha da Gama. Ele quis brigar porque não houve aprovação do povo.
Rosana- O senhor viveu duas ditaduras: a do estado novo e o golpe de 64. E diz que é monarquista. O senhor é insatisfeito com o país?
Roselino - Não! Eu sou tradicionalista, né? Mas estou satisfeito.
Rosana- O senhor acha que o país melhorou?
Roselino - Eu não votei no Lula, porque eu não sou PT. Sou filiado do PDSB.
Rosana- Independente de partidos e de candidatos, do que Ribeirão precisa hoje para ser uma cidade melhor?
Roselino - Ribeirão está bem, porque não é uma cidade industrial. É uma cidade de serviços, onde predominam hospitais, médicos, há uma predominância acentuada da classe média e média alta. Outros ricos de outras cidades vêm morar aqui. Eu não vou citar nomes, mas sei de outros ricos que vêm morar aqui. (risos). É uma cidade, apesar desse calor, ideal para se morar. Você sobe na Portugal, na Presidente Vargas, não está cheio de mesas nas calçadas, todo mundo alegre? Não tem um predomínio de jovens? Então!
Rosana- Quer dizer então que Ribeirão Preto não tem nenhum problema grave para resolver?
Roselino - Acho que não. Está bom assim. Tem boa arrecadação...
Rosana- Pessoalmente, como o senhor explica a vida?
Roselino - Eu sou católico! (tira um terço do bolso da camisa e mostra). Hoje não vou mais à missa, mas vejo pela televisão. Eu tinha duas cunhadas freiras...(tira um retrato da carteira e mostra). Era a irmã Maria de Lurdes e esse terço branco foi ela quem me deu. Sou casado há 63 anos com Maria do Rosário Ferreira Sales.
Rosana- O senhor ainda pega causas?
Roselino - Só de clientes antigos. Mas tenho a Filomena aí (a advogada Filomena de Azeredo Passos, que trabalha com ele há 33 anos)... Filomena foi uma aluna minha nota dez- é como se fosse minha filha. Mas agora eu vou mudar de vida! Não sei o que vou fazer. Advocacia não é uma ciência exata.
Hélio- O senhor tem que planos?
Roselino - Cuidar dos meus pés de café, comprar mais... E continuar advogado. Onde vou pôr esses livros aí? (aponta para as estantes repletas). Ainda disse para a Filomena: vou repor os últimos números das Revistas dos Tribunais, a Lex, vou repondo. Eu não abandono a vida não!
Rosana- O senhor tem um lema na vida que o inspire a seguir em frente e ajude na longevidade?
Roselino - Meu lema é saúde e dinheiro! Ou você acha que eu vou ser hipócrita? Eu não!