Jornal A CIDADE

Economia

Sabado, 12 de Janeiro 2008 - 19h31

China, feijão e milho causam altas

Sidnei Quartier
J.F.PIMENTA/ESPECIAL China, feijão e milho causam altas FALTAM FEIJÃO E MILHO O carioquinha, pelo desinteresse do agricultor. O milho em razão da exportação

A procura de alimentos no mundo cresceu bastante nos dois últimos anos. Boa parte da população da China e da Índia, até então marginalizada do mercado consumidor, está comendo cada vez mais e melhor. Isso sem falar no comprometimento da safra do milho norte-americano, totalmente usada na produção de etanol. Em razão disso, o milho brasileiro foi quase todo exportado, a exemplo da soja. Estes fatores, somados à diminuição da área de plantio do feijão carioquinha e a sequência de fracassos nas últimas colheitas, fizeram subir o preço dos alimentos no Brasil.
A avaliação é de Wagner Rossi, presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), que reassumiu o cargo em Brasília, segunda-feira passada, depois de recuperar-se de uma cirurgia de câncer de pele no nariz.
O maior exemplo disso foi o aumento do preço da cesta básica em São Paulo, maior cidade do país, superior a soma registrada nos últimos três anos. A cesta passou de R$ 215,29 para R$ 258,58. Só os alimentos subiram 22,98%. E a tendência é de aumentos este ano também.
“O mundo vai continuar comprando mais alimentos e a exportação deve ser estimulada. Em todo caso, estamos confiando em nossa próxima safra”, disse Rossi.

Milho é o problema
Ano passado, o Brasil exportou milho como nunca em sua história. O país fechou 2007 com US$ 40 bilhões de saldo na balança comercial. Desse total, US$ 2 bilhões deveram-se ao milho. A soja exportou US$ 7 bilhões. Para Wagner Rossi, estas duas combinações fizeram subir o preço das carnes bovina, de frango, suína e do óleo.
“A falta de milho no mercado, como insumo, eleva o preço de itens básicos da nossa alimentação”, admitiu Rossi.
Uma das saídas descartadas para evitar a exportação em grande escala do milho, seria a cobrança de uma sobretaxa do produto, como faz a Argentina hoje. O Brasil, ano passado, exportou também US$ 4 bilhões de carne de frango e US$ 3,5 bilhões de carne bovina.
A Conab estima em 59 milhões de toneladas a safra de soja deste ano e em 52 milhões a colheita do milho. Wagner Rossi teme que haja muita especulação em cima do preço do milho e promete que a Conab irá tomar providências sérias para abastecer, principalmente os médios criadores de suíno e frango.
Por isso mesmo, quinta-feira passada, a Conab vendeu, em leilão, 78,1 mil toneladas de milho. O produto estava armazenado no Mato Grosso e será destinado para as regiões Norte, Nordeste, e para os Estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo.

O preço do feijão
Um quilo do bom carioquinha custa entre R$ 6,25 a R$ 7,49. É dinheiro suficiente para comprar cinco quilos de arroz (R$ 6,00), dois quilos de peito de frango - que também teve grande alta - mais de três quilos de frango e um quilo de patinho ( R$ 6,48) em promoção. Compra-se também seis pacotes de macarrão (espaguete), mais de um quilo de queijo muçarela, dois óleos-pet de 900 ml de milho ou canola, quase quatro de óleo de soja ou uma lata pequena de azeite extra virgem.


Feijão carioquinha continuará cada vez mais raro e caro
Não será este ano que o brasileiro pagará menos pelo feijão carioquinha, que registrou alta de quase 200% em 2007, batendo quase nos oito reais o quilo. A explicação é que com os bons preços obtidos pelo milho, a soja e o aumento da área de plantio da cana-de-açúcar, induziram o agricultor a deixar a cultura do feijão. Além disso, as últimas safras (são três por ano) foram fracas.
A safra do início do ano passado, fevereiro e março, produziu 32% menos que a do mesmo período de 2005. Ou seja, 460 milhões de toneladas. Em 2006 a produção foi de 1 milhão 460 mil toneladas contra 997 mil em 2007. Na última safra, em outubro, a quebra registrada foi de 19%: 860 mil toneladas em 2006 contra 724 mil em 2007. E não existe carioquinha em lugar nenhum do mundo para importar. Aliás, só existe um feijão que pode ser importado, da Argentina, para se controlar o estoque: é o preto, vendido por R$ 3,00 o quilo.

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