Jornal A CIDADE

Vicente Golfeto

Terça-Feira, 15 de Janeiro 2008 - 22h21

Novidades bem-vindas


Finalmente uma boa notícia para a classe média, a mais sacrificada dos últimos vinte e cinco anos. O pacto getuliano esteve mais forte neste período – como ainda está – do que estava com Getúlio e mesmo com os militares (1964/1985), que sustentaram parte do getulismo sem Getúlio.
A classe média perdeu dinheiro enquanto os ricos ou ficaram mais ricos ou mantiveram seus rendimentos. Não perderam. Também os mais pobres ganharam fatias da renda, tanto por causa dos ganhos do salário mínimo como pela política social do governo federal, o anterior e o atual.
Mas a boa notícia para a classe média vem por conta da possibilidade – pela primeira vez, nas condições anotadas – de ela adquirir sua casa própria.
Uma série de medidas está facilitando a compra de imóveis, entre elas a queda na taxa de juros dos contratos; prazos maiores, com parcelas menores e fixas, compatíveis com a renda do comprador; ampliação da possibilidade de usar o FGTS para oferecimento de uma entrada maior e, por conseguinte, de prestações menores; e o aperfeiçoamento da legislação para o setor, com a criação de mecanismo de garantia, tanto para o adquirente como para o empreendedor e para o agente financeiro. Economia e mercado, como se sabe, são confiança.
Se a indústria da construção civil será acionada mais; se a classe média será beneficiada, inclusive porque a prestação mensal será igual ou até inferior ao que representaria o aluguel do imóvel, o ônus destes bônus fica inegavelmente com o mercado de locação. Que se ressentirá muito em virtude do aumento da oferta sem que haja intensificação da procura. O locativo terá seu preço derrubado, desincentivando a compra de imóveis para auferimento de renda.
Mas é evidente que a economia como um todo será amplamente beneficiada porque os investimentos em construção civil gerarão empregos. E estes dilatarão o mercado consumidor.

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