Jornal A CIDADE

Dos Leitores

Terça-Feira, 15 de Janeiro 2008 - 22h23

Dos Leitores


Atendimento e ética

Quanto mais uma sociedade se organiza melhor vivem as pessoas. Organizar significa estabelecer normas que melhorem as relações existentes entre as pessoas. Este estreitamento deveria, acima de tudo, proporcionar mais prazer em viver, trabalhar e construir uma sociedade que atenda todas as necessidades do ser humano. Imbuídos deste espírito de solidariedade, foram sendo criadas leis que atendessem as necessidades das pessoas com diversos tipos de dificuldades. Surge então o atendimento preferencial, entre tantas outras regalias que, num primeiro momento passa a idéia de equilíbrio entre as pessoas. Ledo engano. A sociedade brasileira, com exceções, adotou a nefasta “lei do Gerson”, onde ser esperto é enganar os outros, usando do “jeitinho brasileiro”. Dias atrás, esperando o atendimento num banco da cidade, chegou toda lépida uma senhora de aparentes 70 anos de idade. Vinha caminhando a passos firmes, olhar equilibrado e ao chegar à fila já foi perguntado: onde é a fila para idoso? Atendida de pronto saiu célere para a rua, provavelmente para continuar sua caminhada. Ficamos todos a perguntar se aquela pessoa, com ótima saúde precisava ser privilegiada em seu atendimento? Ficava claro que não. Outro caso interessante ocorreu com uma jovem de aparentes 25 anos com um bebê no colo. Passou por todos na fila, e olha que a fila estava grande e já estava sendo atendida quando chega o maridão, alto, forte e saudável. Ora, é um acinte. Esta mulher usou a lei de atendimento preferencial para enganar a todos. Ela podia muito bem aguardar a sua vez na fila como todo mundo. O mesmo acontece em todos os lugares. Como esta é a sociedade do “esperto”, as pessoas não entenderam que o atendimento preferencial realmente é para uma pessoa sem condições de ficar na fila. A honestidade e a ética, infelizmente, ainda não fazem parte da vida da maioria das pessoas e o resultado é o que temos todos os dias: gente enganando gente. lei tão altruísta, justa e simpática, vem perdendo seu valor e sendo criticada pelas pessoas que, educadas e corretas, aguardam a sua vez de serem atendidas.

Jorge Jossi Wagner
Historiador

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