Opinião
Quinta-Feira, 17 de Janeiro 2008 - 22h58 Chuva forte e inundação não são “privilégios” de Ribeirão Preto. Imagens de cidades alagadas em várias partes do país são a prova. Porém, com certeza, Ribeirão Preto é uma das cidades que ainda não conseguiram se articular para tomar providências efetivas e resolver o problema. Ou, pelo menos, amenizá-lo.
Estamos à mercê das forças naturais. Se a chuva vem de Batatais, inunda de um lado. Se vem de Bonfim Paulista ou Serrana, o alagamento muda de direção. E os moradores, cobertos de razão e cheios de problemas, reclamam, é claro, dos prejuízos.
Outro agravante: as enchentes já são problema antigo, como atesta a rara coleção de 103 anos do jornal A Cidade. Os arquivos do extinto semanário Domingão registram também uma velha foto, do atual prefeito, com água acima das canelas, cobrindo a enchente - como repórter.
Quando urbanizaram a cidade à volta dos rios, correu-se o risco de jogar cimento, paralelepípedo e depois asfalto, em cima do que deveria ser apenas mata ciliar. Deu nisso. Paga-se agora o preço da falta de respeito às leis naturais.
Há muito o que fazer, porém, para melhorar a qualidade de vida dos moradores dessas áreas mais baixas. É isso o que se pede, há muito tempo, das autoridades competentes, administração após administração.
Com o aval dos responsáveis pelo meio ambiente, é preciso trabalhar com urgência. Ribeirão Preto é uma das melhores cidades brasileiras. Mas padece dessa paralisia funcional, quando se trata de pôr o dedo na ferida. O tumor está crescendo, é preciso extirpá-lo. O paciente quer sair dessa com vida.