Jornal A CIDADE

Leia_A_cidade

Vicente Golfeto

Terça-Feira, 22 de Janeiro 2008 - 0h14

Voto ou bala


O presidente Abraham Lincoln, dos Estados Unidos, dizia que “o voto é o sucessor legítimo da bala”. Civilizando-se, o Homem passa a resolver seus dissensos políticos através do sufrágio que: 1- se transforma gradativamente em universal; 2- com o tempo, vem-se aprimorando.
Quando o voto não resolve – que, parece, é o que vem acontecendo no Brasil – naturalmente volta a bala.
O problema da falta de segurança, do aumento da violência, marca registrada das cidades brasileiras – em algumas, mais e em outras, menos – é, portanto, um problema que comporta solução. Mas ela se situa no âmbito político. O start é o voto.
Além da falta de solução política interna, há agravantes. A primeira é que o crime passou a ser internacional, global. Vivemos uma guerra civil – mais nas grandes cidades – entre o crime organizado e a ordem. Aquele caminha em ritmo de empresa multinacional cuja marca, cujo diferencial é a eficiência. Este caminha na toada do setor estatal.
A segunda é que outros atores estão falhando. Reclama-se da policia, mas a polícia, sozinha, não vence a guerra contra o crime organizado, gestor dos tráficos de drogas, de armas, de mercadorias contrabandeadas. Isto para ficarmos apenas em algumas das facetas do poliedro que representa a logomarca do crime organizado. A polícia é apenas o último recurso, a última instância da sociedade na luta contra o crime.
Quando todas as outras instituições já fracassaram – família, Igreja, escola, Estado – as pessoas recorrem à polícia. Mas a polícia, na verdade, não tem a solução para o problema. Nem poderia ter. E, aí, ela faz o que pode.
Exatamente quando o crime virou ação de empresa multinacional, fortalecendo-se, as instituições que podem – e têm obrigação – de combatê-lo se fragilizaram.
Para o crime não chegar à polícia, isto é, para ele ser contido – evitado mesmo – é preciso resgatar os atores acima mencionados.

  • Imprimir
  • Enviar

É proibida a reprodução do conteúdo dessa página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso sem autorização escrita da Empresa Jornalistica Orestes Lopes de Camargo S\A
ARZ