Júlio Chiavenato
Sexta-Feira, 25 de Janeiro 2008 - 23h18 Nhan-lóló morreu de febre amarela. Brás Cubas pensou em casar-se com ela. Moça simples, de voz “muito mimosa”. Porém o pai se misturava à ralé nas rinhas de galo. Apostava, berrava, e Nhan-lóló, vexada, mas no fundo também amante dos galos rixentos, sorria. Brás Cubas pensou em “arrancar esta flor a este pântano”. Desistiu. Ela morreu de febre amarela.
Virgília não morreu. Foi amante de Brás Cubas, mas preferiu casar-se com o carreirista Lobo Neves.
Nunca esqueceu a casinha, onde sob a guarda de dona Plácida se encontrava com Brás Cubas. Lobo fingia não saber. Ou não sabia, vai se adivinhar o que Machado de Assis escreve. Ela foi ao velório de Brás Cubas, que no caixão, mortinho, lembrou-se dela “com a pena da galhofa e a tinta da melancolia”.
Marcela sim, morreu. Prostituta de luxo, quase faliu Brás Cubas mocinho. O besta deu-lhe jóias caríssimas, mas ela preferia os doutores da elite, que tinham mais grana. Morreu de varíola, “feia, magra, decrépita”, a pele parecendo lixa grossa.
Eugênia, a “flor da moita”, era bela, porém coxa. A coitadinha mancava e não fosse isso Brás Cubas poderia nos ter transmitido “o legado da nossa miséria”. Ela não morreu e Brás lembra-se da boca da mãe dela ao evocá-la.
Ao contrário da dissimulada Capitu, que não está nessa história, Eugênia tinha os olhos sinceros.
Enquanto isso a Dama das Camélias, além de ter nome francês (Marguerite Gautier) morria de tuberculose, na época a doença romântica dos amantes. As mulheres de Machado morrem de morte brasileira: febre amarela, varíola e parto. Brás Cubas tem duas mortes: oficialmente, morreu de pneumonia. Mas o defunto acha que morreu de uma idéia grandiosa e útil. Um emplastro!