Boa Viagem
Sabado, 26 de Janeiro 2008 - 17h27
TRADIÇÃO Entrada do Templo de Buda na cidade de Nara, a antiga capital japonesa antes de Tóquio
Os cem anos da imigração japonesa no país, comemorados este ano, têm aflorado entre os brasileiros toda a curiosidade e o encantamento para conhecer o Japão. A cultura tão peculiar, a convivência harmoniosa entre modernidade e antigüidade e a natureza exuberante de belas paisagens montanhosas aos poucos consomem qualquer inibição trazida pela distância, pelos custos e pela barreira da língua.
Uma viagem simples ao Japão, na ponta do lápis, é mais cara do que uma para a Europa. Hoje as passagens de ida e volta entre São Paulo e Narita, cidade onde fica o Aeroporto Internacional de Tóquio, saem por US$ 1.860. De acordo com o professor de turismo e diretor das agências Ilha de Santorini e da Ramazini Turismo, Edilson de Oliveira, é possível encontrar pacotes de 13 noites, para visitar 14 cidades japonesas, por US$ 4.360. A viagem para o Japão é longa e cansativa, o que encarece as passagens. A recomendação é que os preços sejam amplamente pesquisados.
Pela empresa JAL (Japan Airlines), um vôo que parte de São Paulo rumo a Tóquio, com conexão nos Estados Unidos, demora 25 horas e 45 minutos para aterrissar em território japonês. Quando a escala é pela Europa, o tempo médio da viagem é praticamente o mesmo. De acordo com Regina Helena Coltro, da Galbatur Viagens e Turismo, a viagem deve ser feita com roupas confortáveis e os passageiros devem tomar bastante líquido, evitando bebidas alcoólicas e estimulantes. Para amenizar o impacto da longa viagem, também é interessante pequenas caminhadas pelo corredor do avião e exercícios de alongamento.
Em solo japonês
Já no Japão, são 65 quilômetros de distância entre o aeroporto de Narita e o Centro da capital japonesa. Como em qualquer grande aeroporto do mundo, o turista encontrará táxis à disposição para se deslocar, mas a viagem custará US$ 250. Para quem quer fazer uma boa viagem com economia, a dica é fugir do táxi neste caso e abusar do sistema de trens. No aeroporto de Narita, existe o trem Skyliner (da Keisei Line), que realiza o percurso até Tóquio em 50 minutos por US$ 20. Outro trem, o Narita Express (da Japan Railways), cobra US$ 30. No caminho, paisagens rurais e vastas plantações.
Os lugares imperdíveis
Quem vai a Tóquio, a capital japonesa, tem um leque de visitas consideradas imperdíveis. O Museu de História de Tóquio abriga as mais importantes obras de arte e da arqueologia japonesa, mas não existem explicações em inglês para os visitantes. Mesmo assim, o lugar abriga relíquias como machados e espadas pré-históricos, que por si só já dizem tudo.
Também em Tóquio, de acordo com agências de Ribeirão Preto, é possível conhecer o templo Akasura, um dos mais antigos e belos da história japonesa. Nele, qualquer visitante pode acender incensos para seus ancestrais. Também é ritual entre os japoneses lavar as mãos e beber a água do chafariz que existe no templo.
Odayba pode ser considerada uma ilha futurista dentro do Japão. O cenário quase virtual do lugar conta com estações suspensas, painéis eletrônicos gigantes, edifícios revestidos de aço e a monumental roda gigante, que permite uma vista ampla do sudeste de Tóquio.
Já o bairro de Harajuku é um dos paraísos da cultura moderna do Japão. É lá que fica a avenida Omotesando-dori, praticamente uma Champs Elysee japonesa, onde se concentram as lojas de estilistas consagrados como Jean-Paul Gaultier e Issey Miyake. No bairro, também é possível encontrar peças antigas e objetos de arte. Aos domingos, bandas se apresentam no parque do bairro e atraem diversas tribos de jovens em busca de diversão.
Em Akihabara o visitante encontra uma região de consumo, só que de produtos eletrônicos. Tudo o que há de ponta em câmeras, por exemplo, é possível encontrar lá. Os melhores preços dependem de uma boa pesquisa.
Cenários do interior
Mas Tóquio não é tudo no Japão. O aposentado Roberto Ottani, 69, que dá aulas de japonês em Ribeirão Preto, conta que para quem gosta mais de tranqüilidade e paisagens únicas, existem vários destinos no interior do país, como Kioto, Nara e Hokkaido. Ottani morou pouco mais de um ano no interior do Japão, entre 1992 e 1993, para conhecer melhor o país.
Em Hokkaido, o visitante encontra belas paisagens frias no inverno como a do mar da costa oeste japonesa completamente congelado. Em Kioto, que foi a capital japonesa por mil anos, há templos e gueixas. E em Nara, o templo de Buda, construído no ano 600, tem como curiosidade mais de dois mil veados soltos nas suas proximidades, que buscam alimentos junto aos visitantes.
- Na minha opinião, o interior é mais hospitaleiro e tem paisagens raras, indica o professor.
ADRIANA MATIUZO