Júlio Chiavenato
Sabado, 26 de Janeiro 2008 - 18h23 Quem se lembra do “limão galego, rela a mão tá pego?” E da meninada de olhos tapados (um safadamente entre-aberto) dizer “balança caixão, balança você, dá um tapa na bunda e vai escondê”. Alguém se recorda dessa musiquinha, execrada pelas mães como pecaminosa: “bolim bolacho, bole em cima e bole embaixo?”
E do primeiro contato na praça da igreja, entre meninos sem graça e meninas desconfiadas: “pirulito que bate-bate, pirulito que já bateu, quem gosta de mim é ela, quem gosta dela sou eu”? Essa musiqueta era nada perto de uma ciranda proibida para meninas de boa família: “Oi compadre chegadinho, chega mais um bocadinho”. Brincava-se em duas filas, meninos e meninas frente a frente. Dependendo da malandragem do grupo, os “compadres” e as “comadres” se aproximavam aos poucos, até que, “chegando”, roçavam as barrigas. Dava um frio na espinha!
O que que há com o teu peru? Se o leitor pensa que isso é saudosismo, ledo engano. É para lembrar que eterno só o amor quetetenho, como disse aquele gago. Cantigas e brincadeiras morrem porque as crianças não interagem como antigamente. Preferem jogos solitários ou a televisão. Ditos populares desaparecem porque os adultos perderam a inocência maliciosa que se manifestava em “frases de espírito”.
Vez por outra alguém, sem querer, solta uma expressão símbolo dos tempos que já se foram. Como a dona Nonô, que ao escutar alguém se lamuriando sem razão, diz: “Você ainda não viu Santo Antônio de cueca!” O que tem a ver a cueca de Santo Antônio com a lamúria do chorão?
É de cair o queixo. Mas os tempos mudam: nova canção, velha melodia. Ou como diz um gorduchinho de Serrana, “quem gosta, encosta; quem não gosta, desencosta”.