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Opinião

Sabado, 26 de Janeiro 2008 - 18h24

Diferenças à parte


Há exatos noventa anos, em 27 de janeiro, domingo, em 1918, A Cidade publicava que 35 pessoas já haviam morrido, no Estado de São Paulo, fulminadas por raios.
Outra notícia da hora é que um estande de tiro estava sendo inaugurado pelo prefeito. E já gostávamos para valer do agronegócio: além do café, os “cereaes” floresciam nos campos da Mogiana, com uma safra promissora, alentada por chuvas generosas.
Há uma grande diferença nas notícias deste domingo de 90 anos atrás.
Hoje, certamente, nenhum prefeito municipal daria o primeiro tiro num estande, porque as armas não são politicamente corretas.
E estamos às voltas não só com raios, mas também com enchentes e a formidável estimativa para se calcular o preço das obras que talvez acabassem definitivamente com elas: R$ 150 mi. Resta saber quando e como vamos ter esses recursos.
Ao mesmo tempo, noticiamos, na edição de hoje, que entra em testes clínicos uma vacina que funciona como remédio e que pode tirar o tratamento da tuberculose do estágio das décadas de 40 e 50 - do século passado. E o feito pode ser creditado a um cientista da USP de Ribeirão, que, em 1918, não existia. Nem aqui, nem em São Paulo.
Já havíamos exportado Santos Dumont para o mundo, mas nem sonhávamos em ter um campus com esse patamar de excelência e a responsabilidade de produzir quatro por cento da pesquisa nacional. E não discutíamos, certamente, os entraves para ter em operação um aeroporto internacional.
Evoluímos, é verdade. Mas ainda falta muito para dar o salto de qualidade que Ribeirão merece.

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