Economia
Sabado, 26 de Janeiro 2008 - 18h50 Cerca de 100 empresas da região podem ser consideradas as primeiras vítimas da escassez de energia elétrica. Desde o último dia 14 deste mês, elas tiveram suspensos os contratos especiais em que a eletricidade chegava a custar menos da metade do valor convencional.
A interrupção é por tempo determinado e foi uma das saídas encontradas pelo governo federal para economizar a água dos reservatórios. No Brasil, 90% da eletricidade é proveniente de usinas hidrelétricas e, caso a capacidade de armazenagem seja inferior a 50%, os técnicos do Operador Nacional do Sistema (ON) - órgão que faz a gestão do setor - precisam replanejar o sistema. O ano começou preocupante: até o dia 20 último o volume útil de água nos reservatórios estava em 43%.
A CPFL Paulista, distribuidora em 234 municípios paulistas, suspendeu os contratos especiais no último dia 14, mas, no estado, a interrupção teve início já no dia 1º deste mês na área de cobertura da concessionária Bandeirante. “Foi uma medida para colaborar com o sistema energético e evitar problemas no fornecimento caso os reservatórios não sejam retomados”, diz Clinger Luiz Ferreira, gerente de negócios da CPFL.
A medida, no entanto, tem gerado muita polêmica. O Ceise BR, entidade representativa de parte das empresas da região que tinham os contratos especiais, recorreu à Justiça para obter liminar e retomar o fornecimento. Até na última sexta-feira, a CPFL, segundo o gerente de negócios, não tinha recebido nenhuma determinação judicial nesse sentido.
Prejuízos
As empresas contempladas com os contratos alegam prejuízos devido a suspensão da energia extra. Pelo megawatt (MW), pagavam cerca de R$ 350, valor correspondente ao MW produzido através de gerador movido a óleo diesel. Agora, sem o fornecimento subsidiado, esse consumidor terá de religar os geradores ou pagar o preço convencional que, conforme Ferreira, custa cerca de R$ 800 pelo MW.
Os contratos especiais, segundo o executivo da operadora, começaram a vigorar em 2002, quando, após o racionamento de 2001, houve redução no consumo de energia e a oferta cresceu por conta das chuvas. Como havia eletricidade sobrando, as concessionárias ofereceram o MW subsidiado.
Segundo Ferreira, o MW especial foi oferecido a empresas que utilizavam geradores no chamado horário de pico de consumo, que no caso da CPFL fica entre as 18h e 21h. Para o consumidor, o contrato foi uma excelente proposta: pôde desligar os poluentes geradores e ainda pagou tarifa bem mais em conta. Para a distribuidora também foi um bom negócio porque, enfim, ela vive de vender eletricidade.
Contratos extras serão tema de reunião
A polêmica em torno da eletricidade especial será tema de reunião nesta terça-feira (29), a partir das 16h, no auditório da regional da Fiesp/Ciesp de Ribeirão Preto, no bairro Higienópolis. Devem participar representantes de empresas de RP, Franca, Matão, Sertãozinho e de São Carlos e da CPFL. O gerente de negócios da distribuidora, Clinger Luiz Ferreira, confirmou sua participação.
Segundo ele, apesar de os contratos de energia especial estarem suspensos desde o último dia 14, eles podem ser reativados com a melhora do nível dos reservatórios das hidrelétricas. Até dia 20 deste mês, ele estava em 43%, o que é preocupante. Mas as previsões do Operador Nacional do Sistema (ONS), em relatório de estimativa de vazões, é de que em fevereiro os reservatórios da região Sudeste deverão ser repostos devido as chuvas.