Geral
Sabado, 26 de Janeiro 2008 - 19h46
SEM CHAMAR A ATENÇÃO Vizinhos não desconfiavam que a casa no Jardim Flamboyant era cativeiro
No dia seguinte ao resgate do comerciante Gabriel Fárias Júnior, 27 anos, vizinhos da casa onde a vítima era mantida em cativeiro, no Jardim Flamboyant, em Ribeirão Preto, estavam assustados. “Estava em casa assistindo televisão quando os policiais chegaram e disseram que na casa ao lado estava um rapaz seqüestrado. Nem imaginava que uma coisa dessas estava acontecendo”, contou uma moradora, que não quis se identificar.
Na casa morava Marco Antônio de Oliveira, 33 anos, um dos seqüestradores presos. Segundo um vizinho, Oliveira estava no local há quatro anos e dizia que era motorista de ônibus.
“Nunca pensei que fosse um bandido. Conversava sempre com ele, jogávamos bola juntos, levava uma vida aparentemente comum. Foi uma surpresa para todos nós”.
Oliveira é irmão de Débora Andréia de Oliveira, 35 anos, também presa durante a ação do Grupo Anti-Seqüestro, na noite de sexta-feira.
Perigoso
Débora é mulher de Adeilton Paulino de Souza, 22 anos, conhecido como Gigi Borboleta. O delegado Benedito Antonio Valencise declarou que Gigi era o líder da quadrilha.
“O Gigi é um bandido de alta periculosidade. Tem passagens por homicídio, tráfico e roubo. A vítima corria sérios riscos no cativeiro”, afirmou.
Também foram presos Marcelo Alves da Rocha, 29 anos, e Artur Luís Siqueira Silva, 22 anos.
A polícia chegou até a quadrilha depois de monitorar as ligações dos bandidos. Eles entraram em contato com a família apenas uma vez e exigiram resgate de R$ 500 mil, que não foi pago.
Na tarde de sexta-feira, Gigi e Artur foram detidos próximo ao cativeiro. Eles indicaram o local para a polícia, onde os outros três foram presos.
A polícia suspeita que outras pessoas estão envolvidas no crime e podem ser presas nos próximos dias.
Parentes e amigos comemoram
Parentes e amigos de Gabriel Fárias Júnior, libertado na noite de sexta-feira, depois de nove dias de seqüestro, comemoravam ontem o sucesso da ação da polícia.
“Hoje [ontem] vamos fazer até um churrasco para comemorar. Finalmente o pesadelo acabou”, disse um amigo. Uma das vizinhas contou que durante os nove dias, amigos e parentes se reuniam em uma praça para rezar. Na noite de sexta-feira, durante as orações, Gabriel Farias, pai da vítima, ligou para os amigos contando que o filho estava com ele.
“Foi uma festa só. Ficamos muito felizes e fomos até a delegacia abraçar essa família guerreira”, disse.
Durante todo o dia de ontem, Júnior e a família permaneceram na casa de um amigo. Eles preferiram não falar com a imprensa.
“Estamos muito felizes, foi um grande alívio. Agora vou dormir um pouco, pois durante esse tempo todo não conseguia fechar os olhos”, disse o pai da vítima, na noite de sexta-feira.