Júlio Chiavenato
Terça-Feira, 29 de Janeiro 2008 - 21h52 Em Salvador, Bahia, um sargento reformado, bêbado, matou com um tiro na cabeça uma menina de 4 anos, que brincava na janela. Disse que ia dormir e não queria barulho. Os vizinhos informaram que ele é violento e ameaça as pessoas. Quase sempre está embriagado. Ele fugiu do flagrante e a delegada que registrou a ocorrência explicou que não é possível pedir sua prisão preventiva.
Em Ribeirão Preto um segurança matou um rapaz com um tiro nas costas. Alegou “legítima defesa”: segundo ele, um grupo de jovens fazia arruaça e o agrediu.
Atirou, não importou se atingira ou não alguém e foi embora. Não tinha porte de arma. O bufê para quem ele dava “segurança” disse não saber que ele trabalhava armado. Como não houve flagrante ele não será preso: aguardará o julgamento em liberdade.
Abstraindo-se o drama dos envolvidos, o que concluir? Primeiro, que matar é simples, basta ter uma arma. Segundo, que com a nossa legislação é fácil escapar da cadeia. E finalmente, que sem respeito à lei estamos à mercê do acaso. E da barbárie.
Como é possível o sargento baiano, alcoólatra, andar armado? Os vizinhos sabiam, a família sabia. Ele ameaçava as pessoas com revólver. Mas seus superiores e companheiros “não sabiam”. Agora sabem.
Como é possível um bufê, que atende à classe média alta não saber que um dos seus “seguranças” trabalhava armado?
Os rapazes souberam e os diretores da empresa agora também sabem.
Nem é preciso lembrar que a lei foi violada: o porte de armas requer cuidados e treinamento especiais.
Ninguém pode andar armado sem autorização legal. Mas nada vai mudar: assassinos inconseqüentes e vítimas inocentes são comuns no Brasil. De norte a sul, entre pobres e ricos.