Opinião
Terça-Feira, 29 de Janeiro 2008 - 21h56 Recebemos ontem a mensagem muito especial de uma leitora indignada. Ela protestava contra a publicação, nesta página, da charge que, com a legenda “Roleta-Russa”, fazia a leitura crítica do cartunista Thomas Larson, sobre a escalada do crime. Uma imagem nada amena, é verdade. Como não é amena a vida na rua. Viver, cada vez mais, é perigoso.
A morte do estudante Rodrigo Padilha impactou a comunidade de uma maneira única. E por um motivo simples: poderia ser o filho, o irmão ou o amigo de qualquer um de nós, que somos eleitores, alfabetizados, escrevemos em jornal ou lemos jornal, trabalhamos, pagamos nossos impostos e acreditamos em Deus.
Além disso, Rodrigo tinha 18 anos. Esperava o resultado do vestibular. Era um dos milhares de estudantes que vivem em Ribeirão Preto, tinha um sorriso bonito e, como qualquer jovem, não merecia, de maneira nenhuma, morrer dessa forma, na madrugada de um sábado que tinha tudo para terminar bem.
É óbvio que alguns, num momento de dor, podem ter se sentido atingidos pela metáfora da roleta-russa da violência, mostrada no desenho do nosso artista.
Porém assim como não foi essa a intenção dele, em nenhum momento se quis tratar o caso com frieza científica, mas, apenas, com a isenção que norteia a linha editorial de A Cidade, e é seguida à risca no noticiário.
Cabe agora à Polícia a apuração e à Justiça o julgamento dos fatos.
Cabe a nós, cidadãos e jornalistas, o acompanhamento rigoroso dos desdobramentos que virão. E a torcida para que o cumprimento da lei do desarmamento possa evitar outros dramas terríveis como este.