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Terça-Feira, 29 de Janeiro 2008 - 22h14

Radar flagra placa clonada

REPRODUÇÃO/WEBER SIAN Radar flagra placa clonada QUEBRA-CABEÇA Montagem com fotos da Transerp mostram a mesma placa em quatro carros diferentes, em imagem captada por radares

A fiscalização por radares em Ribeirão Preto não tem flagrado apenas motoristas em alta velocidade. Os agentes da Transerp (Empresa de Trânsito e Transporte Urbano) descobriram um problema que eles não imaginavam que fosse tão freqüente: a clonagem de placas de carro.
Em novembro e dezembro de 2006, os dois primeiros meses de funcionamento dos radares, a Transerp fotografou 10 veículos com placas clonadas. No ano passado todo, foram mais 12. A média é de 1,5 por mês. O que surpreende é que elas têm aparecido, com cada vez mais freqüência, em carros de luxo. “A gente via casos pela televisão e foi uma surpresa saber que circulam em Ribeirão tantos carros com placas adulteradas”, afirma o superintendente da Transerp, coronel Antônio Carlos Muniz.

Quatro carros
Só com a placa DJE 3304, de São Paulo, a Transerp já flagrou quatro automóveis: um Golf e um Polo, ambos da Volkswagen, um Chevrolet Vectra e um Audi. O detalhe é que esta placa não está cadastrada na Prodesp (Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo). Oficialmente, não existe.
Muniz conta outros casos. “Teve um em que fotografamos um BMW e, na hora de emitir a multa, percebemos que a placa era, na verdade, de um Honda Civic”. Em outra situação, a placa flagrada com um Gol pertencia, originalmente, a um caminhão Mercedes.
Segundo o superintendente da Transerp, quando o erro é notado, a multa é cancelada. “Mas tem vez que não só a placa é clonada. O carro também. Quando isso acontece, é muito difícil diferenciar o falso do original e a gente chega até a enviar a multa. No entanto, assim que percebe o problema, a vítima pode entrar com recurso e pedir apoio da Polícia”.
O curioso que é nenhum dos veículos irregulares flagrados até agora tem placa de Ribeirão. A maioria é da capital paulista. “Em São Paulo, no mercado negro, é mais fácil clonar uma placa”, diz Roberto Magrini, coordenador da área de informática da Transerp.


Números falsos são informados à Ciretran
As placas clonadas descobertas pela Transerp são informadas à Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito), responsável por fiscalizar e combater o problema. “Placa clonada é caso de polícia. O que podemos fazer é ajudar com informações para facilitar as investigações”, afirma Muniz.
A reportagem tentou contato, ontem à tarde, com o delegado da Ciretran em Ribeirão, Adilson Massei, mas foi informada que ele estava numa reunião e não poderia falar sobre o assunto.
Segundo Roberto César Magrini, coordenador da área de informática da Transerp, setor que faz o registro das multas, a adulteração é feita facilmente em cidades grandes, principalmente São Paulo, em oficinas que fabricam placas clandestinamente. Ele não descarta a existência de esquemas para modificar os documentos dos veículos.
Em outros Estados, o problema também existe. Recentemente, a Transerp recebeu um alerta de órgãos de trânsito do Piauí de que um carro de lá está circulando em Ribeirão com placa clonada.
A clonagem de placas é crime, segundo o artigo 311 do Código Penal. A infração prevê multa, apreensão da carteira e pena prisão de 3 a 6 anos.



IGOR SAVENHAGO

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