Jornal A CIDADE

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Vicente Golfeto

Quarta-Feira, 30 de Janeiro 2008 - 23h56

Meia verdade


Já perguntei uma vez. Quem mente mais: o político ou o eleitor? Quem é menos ético?
A pergunta foi-me feita, numa primeira oportunidade, pelo Benedito, fanático corintiano que ultimamente não aceita papo sobre o timão. A partir daí, fui para a realidade brasileira. Depois de perguntar, registrou indignado um fato que muitos já notaram. Em alguns restaurantes, em alguns postos de gasolina, é muito comum, depois de feita a compra, o comerciário – frentista, como é chamado o atendente nos postos – perguntar se o consumidor quer uma nota fiscal. Normal a pergunta. O que não pareceu normal ao Benedito foi a segunda pergunta: de quanto, de qual valor?
Se o Benedito estivesse a serviço de uma empresa, claro que a nota com valor maior serviria para ele embolsar parte do gasto, gerando prejuízo ao patrão. Mas a pergunta é comum, embora o início da conversa neste sentido seja sempre do consumidor. Que tem sua solicitação, muitas vezes, atendida.
Ora – argumenta Benedito – estamos diante de uma meia verdade? “O perigo da meia verdade é exatamente dizer a metade que é mentira”, nos ensina Millor Fernades. Esta meia verdade nos aponta para um fato, que está sendo objeto de desconfiança do Benedito: boa parte de nossa gente tem o comportamento de boa parte dos políticos? Ou, não?
A realidade é uma só: nossa legislação ordinária nega a igualdade que a Constituição diz ser marca de nossa democracia. Todos são iguais perante a lei. Mas a lei não é igual para todos, não é mesmo?
O Brasil sempre institucionalizou como direitos os privilégios dos grupos dominantes. E a ideologia de plantão sempre serviu como justificativa.
Temos bons políticos da mesma maneira que temos eleitores muito bons. Mas também temos bandidos nas atividades públicas da mesma maneira que temos delinqüentes – presos ou soltos – na sociedade. A delinqüência nasce também da injustiça das nossas leis.

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