Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Quarta-Feira, 30 de Janeiro 2008 - 23h56

Tática da Inês morta


Desde 1961 os galpões utilizados para os festejos do centenário de Ribeirão Preto, na avenida Bandeirantes, estão abandonados, deteriorando-se. Os vários prefeitos depois de Costábile Romano (entre eles, quatro vezes Welson Gasparini) absolutamente nada fizeram para conservar o patrimônio público.
Permitiram o furto das telhas, madeiramento, portas, janelas, tijolos. Agora só restam as paredes, esperando que o descaso prefeitoral as derrube. Para o local já foram sugeridos vários usos. Poderia ser um centro administrativo, escolas, unidades de saúde ou um grande hospital. Hoje, é difícil saber como recuperar para o povo aquelas ruínas.
É a tática da incúria administrativa, da qual Welson Gasparini é mestre: deixar como está para ver como se derruba. Depois do fato consumado se solta um balão de ensaio e com ar inocente especula-se como a iniciativa privada pode “recuperar” o que é público.
Em Ribeirão Preto já se doaram ruas, praças foram ocupadas etc.. Agora é a vez dos galpões. Empresários dos transportes rodoviários sugerem à Transerp que lhes entregue os galpões, para ali construírem um terminal de carga. São altruístas: estão preocupados, segundo as notícias publicadas em A Cidade, em desafogar as ruas do tráfego pesado.
Em que pese as boas intenções empresariais e a preocupação em ajudar Ribeirão Preto, embora por acaso seriam favorecidos com a doação de um dos mais valiosos bens públicos, vale repetir: os galpões são um bem público. Não podem ser doados ou emprestados, apesar de estrategicamente abandonados.
Os vários prefeitos que não cuidaram do patrimônio sob sua guarda deveriam ser responsabilizados. E impedidos de lotearem o que é do povo.

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