Vicente Golfeto
Quinta-Feira, 31 de Janeiro 2008 - 22h52 Apenas uma coisa distingue o início do século 20 do início do século 21. É a velocidade com que as coisas acontecem. Atualmente as mudanças são tão rápidas, tão céleres que, se não tomarmos cuidado, vamos a reboque dos acontecimentos. Não somos mais sujeito da História. Somos objeto.
Estas mudanças estão acontecendo não só nos padrões de consumo mas também – e até principalmente – nos padrões de produção. Assim, não há o que segure o processo de destruição criativa, apontada por Joseph Schumpeter no ano ido de 1942.
Vamos ficar com dois exemplos destas transformações: o que determina o conceito de uma jóia e o referente ao que seja um bom hospital.
Quilates e pedras preciosas – dizem os técnicos – ainda contam mas não definem mais o que seja uma jóia.
O design – que tem um conteúdo cultural muito forte – pesa cada vez mais.
A distância que separa uma jóia de uma bijuteria ainda existe e ainda é notória. Mas ela tem encurtado. Uma jóia – diz a sabedoria popular – é o único luxo que não vira lixo. Mas fica por aí a distância.
Antes foi a era do tomógrafo e dos equipamentos cada vez mais sofisticados. Hoje, bom hospital é o que gera conhecimento. Numa palavra: o que pesquisa e, por conseguinte, o que produz conhecimento, na concepção clara e atual do prof. Otávio Berwanger, diretor do corpo clínico do Hospital de Clínicas de São Paulo.
Não é sem razão que, cada vez mais, o hospital tem sido – quando produz conhecimento – o útero de onde nascem boas faculdades de Medicina. Mais do que nunca, não é a Faculdade que dá luz a um hospital.
É o contrário: é um hospital de boa qualidade que tem condições de dar a luz uma faculdade de medicina.
É o adaptar-se ou morrer, de Euclydes da Cunha. E não o morrer clinicamente apenas.
É o morrer inclusive e sobretudo profissionalmente. Para atuar – em qualquer campo – é necessário atualizar-se. Sempre. Continuamente.