Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Quinta-Feira, 31 de Janeiro 2008 - 22h53

Comeram a grama


Torcida amiga, por que o campo do Botafogo virou arena? Os mais prestigiados jornalistas do país – são eles que ocupam o maior espaço nos jornais, com direito a caderno especial – bem, torcida amiga, eles escrevem arena em lugar de campo de futebol, ginásio, estádio, e até o monumental palco do espetáculo foi esquecido.
Arena, como sabe quem lê orelha de livro e se ilustra pesquisando na Internet (alguns ainda olham dicionários de papel) é “a parte central dos anfiteatros romanos, coberta de areia (daí o nome) onde se realizavam espetáculos de combate entre gladiadores”. Ali também, em tempos gloriosos do Império Romano, os leões engoliam cristãos e os ditadores distribuíam pão e circo.
Os espanhóis chamam de arena seus anfiteatros onde se tortura e mata touros. Como na Roma antiga o matadouro espanhol é um anfiteatro: “grande edifício circular ou oval que, no interior, dispunha de degraus, como assento”. Isto é, uma construção com arquibancadas, com areia no seu centro, para receber os touros e seus assassinos.
Mas um campo de futebol não tem gladiadores, assassinos nem touros. Quando muito, tem juiz ladrão e bandeirinha cego. E cristãos às pencas, berrando contra a mãe alheia ou cantando hinos estranhos.
Aqui em Ribeirão Preto, como se lê na coluna Há um Século, campo de futebol já foi chamado de “ground”. Estava certo: the football era inglês e os ingleses jogavam em campo de terra, daí, em 1918 o “scratch” do Comercial enfrentar os rivais no seu “ground” (terra ou terreno).
Houve um radialista que dizia: “Ao depois, vejamos como reage o time”. “Ao depois”! Ao depois, o campo do Botafogo virou Arena de Santa Cruz! Pudera, tem até Touro dos Canaviais.

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