Hamilton de Andrade Lemos
Quinta-Feira, 31 de Janeiro 2008 - 22h53 Em seu reinado, Luis 14 juntou toda a corte francesa ao alcance de seus olhos. Construiu para isso o palácio de Versailles, deixando bem claro a extensão de seu poder. Para deixar evidente que até a natureza estava sob seu controle, mandou construir um jardim planejado, onde as diferentes flores desabrochavam em períodos rigorosamente predeterminados. Nota dez em harmonia e originalidade.
Para levar a mesma ordem à mesa, criou regras que eram escritas em etiquetas, colocadas ao lado dos pratos. Estava inventada a etiqueta social.
De lá pra cá, a moda expandiu e diversificou-se. Temos a etiqueta no trabalho, que nos diz como vestir e se comportar.
Já temos até a etiqueta sexual, para nos ajudar a decidir, por exemplo, quem paga o motel, em que momento usar a camisinha e o que dizer no caso de uma eventual falha.
Passar o carnaval em casa não é diferente. Com um pouco de civilidade e educação chegaremos vivos e sãos à quarta-feira. Anote algumas regras.
Ao assistir os desfiles das escolas de samba, evite pular do sofá gritando “obaaaa”, “uiaa” e fazer barulho chupando o ar entre os dentes quando aparecerem as mulheres seminuas. Esqueça as bundas e apenas elogie a combinação de cores na fantasia.
Em hipótese alguma cante marchinhas de carnaval com os dedos indicadores levantados. É gafe dupla.
Se for levar as crianças à matinê, resista à tentação de arrastar as mães, tias e babás presentes pelo salão. E conte as crianças na saída.
Tenho um conhecido que criou um japonesinho durante todo 2007 por não respeitar esta regra.
O garoto já o chama de papai.