Júlio Chiavenato
Sexta-Feira, 1 de Fevereiro 2008 - 22h30 Desconfio que a cerveja custa tão barato no Brasil por artes do Diabo Velho. Ele sabe que o povo pobre, no vazio político que lhe garante a felicidade dentro da miséria, adora uma cervejinha gelada. O Diabo Velho providenciou que ela fosse barata e boa. De lambuja decretou que os salgadinhos também custassem uma merreca.
Dá certo: a gente pobre ceva-se em cerveja gelada e pastel de vento, deixando aos chatos a reclamação contra a injustiça social. Assim preserva-se o sistema, enquanto os bancos lucram e a Amazônia é devastada.
Mas o Lula da Silva, gente nossa, também amante de uma birita, consola os pobres e nocauteia os chatos: como os cervejeiros ele jura que não sabe de nada e diz que tudo é intriga das elites.
Assim caminha a humanidade. O Diabo Velho nunca conta uma coisa estranha: quanto maior o nível de injustiça social num país, mais barata é a cerveja. O Brasil é o campeão da desigualdade de renda, mas bebemos a mais barata cerveja do mundo.
Quanto mais justa é a distribuição de renda, mais cara é a cerveja. Confiram na Suécia, Noruega ou Finlândia. Uma cervejinha na Europa pode custar de 10 a 100 vezes mais do que no Brasil.
O Brasil e os Estados Unidos, dois campeões de desigualdade, são países de cerveja barata e discriminação social e racial alta. São países que se destacam pela associação do sucesso sexual com o consumo de cerveja, na publicidade que não poupa sequer as crianças.
Enquanto se loteia o país, devasta-se a Amazônia e os que “subiram” estouram os cartões de crédito do Estado, o povão se entope de cerveja e não percebe ou não se importa com a indignidade da vida.
Coisas do Diabo Velho, que deu mais-valia à vida dos miseráveis.