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Opinião

Sexta-Feira, 1 de Fevereiro 2008 - 22h32

Golpes na confiança


O caso da advogada de Franca, suspeita de usar o escritório e as consultas para supostamente mapear bens dos clientes e orquestrar assaltos, dispara, mesmo sem qualquer conclusão, ou julgamento final, um duro golpe no mais precioso bem que se pode cultivar: a confiança e a ética dos serviços profissionais disponíveis na praça.
É evidente que a categoria dos advogados não merece isso. Evidente que a conduta criminosa é uma exceção. Mas é espantoso o crescimento da adesão de pessoas da classe média e classe média alta à via do crime. Seja por doenças psiquiátricas, pelo vício provocado pelas drogas, ou por escolha pessoal, de vida, como caminho a trilhar, essa via marginal ganha novos contornos. Nenhum deles, evidente, é agradável. No caso do crime cometido por problema psiquiátrico, que incapacita o juízo e tira o senso crítico de quem age fora das normas da lei, os meandros são ainda mais dramáticos, porque fazem vítimas dos dois lados. É esse também o perfil dos usuários de drogas, que, corrompidos pelo vício, acabam aderindo ao tráfico. Nesse último episódio, em Franca, de assaltos que teriam sido feitos via escritório de advocacia, cabe, ainda, aguardar o veredicto da justiça. Mas já choca, a princípio, a simples suspeita: quem poderia duvidar, em outros tempos, da honra de alguém profissionalmente bem domiciliado? Onde estará aquela aura de respeitabilidade que permeava acordos do “fio do bigode”? Quem ainda acredita na palavra que se dá? Até quando vamos assistir placidamente à banalização de mentiras e da capacidade de enganar? Nossa sociedade precisa, com urgência, repensar valores importantes. Antes que acabe.

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