Especial
Sabado, 2 de Fevereiro 2008 - 20h37
O PALHAÇO ANUNCIA: hoje é dia de santos reis Companhia de Itaú de Minas-MG canta em um dos maiores encontros de Folia de Reis do país, em Altinópolis-SP; mais de 40 grupos se apresentaram no evento
As cidades que abrigam encontros das companhias durante o mês de janeiro, tradicionalmente chuvoso, esquecem do cinza e transformam-se num palco para os foliões vermelhos e amarelos, com suas cantorias sobre a vida de Jesus.
No sítio da capela de São Sebastião, em Cajuru, uma única companhia, a União, ofereceu um almoço no dia 6 de janeiro para quem aparecesse. Entrei anonimamente e, sem qualquer questionamento, fotografei o que me parecia ser algo tão íntimo como um almoço de domingo em família. Só que nem dei importância à comida, tamanha a beleza dos repentes e acordes. Lá, os foliões caminham em direção aos reis magos passando por três arcos e transferem a bandeira para quem quer fazer pedidos ou agradecer.
Duas semanas depois, uma festa de três dias em Altinópolis tinha outro status, mas o mesmo princípio. Mais de 40 companhias, sobretudo de Minas e São Paulo, lotaram a praça da Matriz e movimentaram o comércio informal. Até sapato foi exposto em cima de um carro para vender. Mas o que chamou a atenção foi a presença de crianças dançando com ímpeto incomum. Aos poucos fui me aproximando do palco e o único questionamento do dia me surpreendeu. “Você está cobrando para fotografar?”, disse uma altinopolense beirando os 70 anos. Respondi que estava fotografando para mim, porque gostava, e ela, sem timidez, revelou: “O sonho da minha vida é tirar uma foto ao lado do palhaço”. Não hesitei, não achei engraçado, como talvez fosse o normal. Pedi para que ficasse próxima de um dos palhaços da folia e cliquei. Pode ser que nem a veja mais, nem a foto chegue lá, e eu sequer sei seu nome. Porque o importante ali não era o quem, mas o quê. E talvez por isso ainda exista essa tal folia.