Opinião
Sabado, 2 de Fevereiro 2008 - 20h49 Somos todos muito simpáticos à cultura popular. Talvez porque essa cultura seja a legítima representação do povo e carregue com ela a mais cândida pureza das nossas raízes.
É tocante tudo o que sai do povo, exatamente porque o povo é transparente. E generoso. Cria manifestações ricas de significado, que é preciso documentar, para que não morram, sob o jugo cruel da divulgação maciça dessa outra “cultura”- que massifica não valores filosóficos, artísticos ou religiosos, mas apenas velhacos toques de consumir. E claro, estereótipos e bordões, que a “galera” incorpora rapidamente.
Mas quando se trata dos desfiles da região, temos que nos perguntar por que o nosso carnaval de rua tem sido um espetáculo tão pobre, uma pálida e reduzida caricatura do que se exibe nas capitais.
O que conseguimos mostrar até hoje, com exceção dos desfiles sofisticados da brava e organizada Batatais, dificilmente rompe as barreiras da mediocridade, apesar dos melhores esforços dos nossos carnavalescos. À boca pequena se diz, mas dificilmente se fala claramente, em público, que o carnaval de rua de Ribeirão Preto não está à altura da cidade.
É verdade. Teríamos que desenvolver uma cultura carnavalesca para que surgissem carpinteiros, cenógrafos, compositores, coreógrafos, figurinistas. Uma escola de samba é uma eclética companhia que reúne artes como desenho, pintura, escultura, música, dança. E exige criatividade, talento e dinheiro. Nunca foi, e ao que parece, nunca será uma prioridade de RP, a não ser em fevereiro. Não podemos, portanto, exigir muito além do que temos. Resta-nos torcer pelo Carnaval 2008. E pelos próximos.