Vicente Golfeto
Sabado, 2 de Fevereiro 2008 - 20h49 O egoísmo é natural. É conforme a natureza humana. Foi por conhecer bem a natureza humana que os dirigentes do Império Romano assentaram a política externa a partir do chamado egoísmo esclarecido. Que foi o alicerce sobre o qual se apoiou o Império Britânico. Aliás, toda política do Império Britânico era apenas a de seguir a lógica e os interesses de sua economia. Por um breve momento, a partir daí, realmente controlou boa parte do planeta.
Na mesma lógica, construiu-se o que atualmente se conhece por imperialismo norte-americano, temperado também pelo pragmatismo – pragmatikós, em grego, quer dizer prática – que nasce do egoísmo.
Mas, se o egoísmo é natural, o individualismo é uma cultura. Que é mais disseminada nos países de formação calvinista e menos nos de cultura católica. Como a nossa. Mas muito menos ainda nos países de religião católica ortodoxa e principalmente islâmica.
Nos países onde o individualismo, como cultura, chega depois, há tendência de se confundir o econômico com o social. A melhor política social de um país é uma economia que produz em quantidade suficiente mas sobretudo com qualidade.
A Economia destaca o singular. A Sociologia cuida do plural. A mistura é sempre negativa.
O programa do biodiesel, por exemplo, é um problema hoje exatamente porque o governo partiu de uma base errada. Misturou política social com política energética, capítulo fundamental da política econômica. Misturou o singular com o plural. Propôs fazer o biodiesel a partir de pequenas propriedades assentando as famílias no campo. Mas a produção de energia exige um mínimo de escala. Aliás, não se produz nada eficientemente se não se tiver escala. E escala é palavra de origem latina – scala – que quer dizer escada. É algo que sobe. Por isto, escalar uma montanha é subir uma montanha. Oscar Wilde dizia: “as melhores intenções sempre produzem os piores resultados”.